CUSTÓDIA

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 3855 MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Ourivesaria
  • Dimensões (cm): Alt. 77 x Larg. 41 (resplendor) x Diâm. 27.5 (base)
  • Descrição: CUSTÓDIA de assento, em bronze dourado, fundido, modelado, cinzelado, inciso, prata fundida, repuxada e incisa, cristal de rocha lapidado, gemas de safiras e de granadas lapidadas e polidas, cabochões de granadas, liga metálica fundida e moldada, placas de cristal transparente. A base apresenta-se circular com pontilhado inciso de motivo crucífero com cruzamento na interseção dos braços e ladeado por volutas verticalizadas, que se alterna com quatro safiras (?) ovalizadas, e quatro granadas (?) de recorte losangular, sendo as gemas lapidadas e engastadas em golas molduradas, posicionadas horizontalmente, e sobrepujamento na bordadura superior de torsal de folhas de louros; zona central alteada em registo convexo de folhas de acanto radiantes a partir de eixo central que se entretecem com elementos em forma de dupla voluta e vendo-se quatro fiadas de pérolas organizadas diametralmente entre si. A haste define um duplo nó e estrutura-se em três registos, observando-se o arranque em elemento troncoesférico em que quatro querubins em bronze fundido se alternam com quatro volutas ascendentes e revestidas exteriormente de representação de fiada de pérolas, seguindo-se o estreitamento do nó em formato cilíndrico e moldurado, em que se inscrevem mais oito gemas organizadas como se descreveu acima, quatro safiras ovais que se alternam com quatro granadas (uma das quais em lacuna), mas dispostas verticalmente, em que as bordaduras dos engastes são decorativamente pontilhadas e o espaço intermédio é reforçado por um padrão igualmente inciso de sugestão de estrela (?); o topo desta área cilíndrica é moldurado em saliência, e, em alinhamento com as granadas losangulares, nascem quatro volutas vegetalistas que se unem com contravolutas na extremidade, observando-se na face superior deste tambor elementos estelares pontilhados; o fuste continua-se em calote semiesférica em cristal de rocha que permite observar pela transparência a presença de um eixo central em liga metálica que dá sustentabilidade à custódia; segue-se em linha ascendente segundo nó, que se ostenta como uma estrutura arquitetónica octaédrica, que insere dois nichos posicionados em faces opostas em que se erguem esculturas de vulto, em liga metálica não identificada (prata ?, estanho ?), de corpo inteiro, posicionadas de pé e frontalizadas, assentes em basamentos, representando presumidas figuras de santos, uma masculina, segurando uma cruz e um cálice com a Sagrada Hóstia, a outra, feminina, com um bebé ao colo e outra criança de pé, junto de si; estas figurações são ladeadas por safiras verticais e nas faces laterais e opostas uma representação renascentista (?) de cabeças de "putti" aladas, em relevo, com enrolamentos nas áreas superior e inferior; este segundo nó de características arquitetónicas tem uma base em campânula facetada e invertida à qual foram adaptadas seis volutas igualmente ascendentes, quatro revestidas com faces externas de representação de pérolas, duas das quais em oposição, e observam-se as golas para encastramento horizontalizado de duas safiras, atualmente em ausência, e o topo é rematado por molduras com lateralizações das quais se erguem pequenos pináculos prismáticos em cristal de rocha e bronze dourado, dos quais subsistem duas unidades; segue-se o último registo do fuste em formato de semicalote esférica invertida, de cuja base nascem quatro volutas ascendentes em oposição diametral, que originalmente repetiram a inserção dos pinos retro mencionados mas de que só resta um; a peça define, seguidamente, uma zona tronco cónica que ostenta a inserção de mais quatro gemas, verticais, e seguindo a decoração de duas safiras ovalizadas e duas granadas losangulares incrustada no metal base envoltas por pontilhado igual ao descriro e ascende unltrapassando um anel relevado para uma esfera em crisal de rocha e ladeada pelo padrão de duplo "putti", em oposição diametral, com sugestão de asas (?) e cabeças emplumadas (?); em orifício insere-se o eixo metálico que centraliza a haste e que serve de sustentação. A extremidade superior define-se como um imponente hostiário circular, constituído por uma lúnula em prata, repuxada e incisa, figurando quatro querubins, organizados aos pares, que ladeiam uma dupla pintura miniatura a óleo (?) de rosto, posicionado para ambos os lados, com o olhar voltado para cima e que se insere sob uma proteção de lâmina de cristal (?) correspondendo esta a cada uma das representações antropomórficas, entre as quais existe uma abertura para inserção da Hóstia Sagrada de grandes dimensões; no interior, existe uma placa argentea (?) com remate ornamental em enrolamento, que desliza em dupla calha de forma a permitir a mobilidade da lúnula para exposição do Corpo de Cristo; estes elementos são enquadrados pelo viril, em prata lisa, cilindriforme, com dois cristais transparentes nos topos que permitem uma visão nítida do interior; o acesso faz-se através de uma das faces cuja abertura se concretiza através de dobradiça. O ostensório é envolto por uma faixa ornamental de cinco feixes de ornato tubular triplo, em cristal de rocha, com extremidades em remates decorativos na matéria prima, que alternam com cinco conjuntos de quatro pináculos prismáticos no mesmo cristal, finalizados por pinos metálicos e centralizando pequeno cabochão de granada, destas faltando uma unidade; a envolver um anel de querubins, em prata (?) fundida e incisa, que alternam com dez gemas, três safiras e dois cristais de rocha, lapidados e losanguliformes, e cinco cabochões de granadas; a finalizar o hostiário abre-se um resplendor em bronze dourado com uma radição interna, continuada em que os raios se apresentam mais curtos, e que alternam com outros de diferentes dimensionamentos, tratando-se de uma custódia de conceção e execução qualificada, denunciando controlo das técnicas aplicadas. GLOSSÁRIO| CABUCHÃO|"Termo utilizado por joalheiros e lapidários designando uma pedra cortada, com uma superfície convexa e polida, mas sem faces, geralmente de contorno redondo ou oval". Instituto Português de Museus. «Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga: A Coleção de Ourivesaria (...)». p. 219. CRISTAL DE ROCHA| "Variedade incolor e transparente de quartzo, que apesar de não ser muito apreciada pelos joalheiros, é superior ao vidro pois sendo de maior dureza, retém melhor o polimento e as suas faces cortadas não se desgastam facilmente. (...). Do grego «kristallos» que deriva de «krysos», frio." In idem, p. 220. CUSTÓDIA| "Alfaia liturgica utilizada para patentear aos fiéis a Hóstia Consagrada, costume esse surgido sómente depois do século XIII. (...) Em 1264, ao promulgar-se a festa do «Corpus Christi», sente-se a necessidade de criar um novo objeto de culto em virtude da conveniência que havia de se apresentar solenemente o Corpo de Deus à adoração dos fiéis, além de o conduzir triunfalmente através das ruas e dos lugares públicos generalizando-se assim o seu uso. (...)." In idem, p. 220. LÚNULA| "Espécie de crescente em metal que serve de suporte a uma Hóstia Consagrada e que se coloca dentro de um viril". In idem, p. 222. VIRIL| "Peça composta por uma moldura dupla com dois vidros de forma a facilitar uma melhor visão do seu conteúdo, apresentando no seu interior uma lúnula e ao mesmo tempo proteger a Hóstia Consagrada exposta à adoração dos fiéis, podendo ser circular ou cilíndrica. (...)". In Idem, p. 224.
  • Centro de Fabrico: Presumivelmente Portugal

Bibliografia

  • Instituto Português de Museus (1995). "Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga: Coleção de Ourivesaria", 1º Volume, 1ª edição.

Exposições

  • Exposição Permanente do Museu dos Biscainhos.

    • Braga
    • Exposição Física

Multimédia

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