Descrição: CÁLICE em bronze dourado e prata (?) dourada; a base é circular e ligeiramente alteada com aresta encordoada cuja face é dividida em seis reservas que definem três temas organizados aos pares e em oposição diametral: instrumentos da Paixão Crística simbolizados por uma cruz de cuja extremidade inferior se elevam três enormes cravos da Crucificação combinada com os símbolos da Flagelação, uma coluna (?), uma corda e dois flagelos e considera-se ainda a presença dos dois braços cruzados da Ordem Franciscana (?), duas representações florais e o que se interpreta como uma píxide ou taça com opérculo constituída por gomos ou godrões, em dupla apresentação; a haste é de seção sextavada na qual se define o nó em formato de calote esférica achatada com um padrão losangular centralizado por flor, que se repete seis vezes, entre duplo friso fitomórfico; a copa apresenta-se campaniforme invertida.
GLOSSÁRIO|
CÁLICE| "Vaso litúrgico (...) utilizado durante a missa na consagração do vinho. Este objeto é o primeiro entre os utensílios litúrgicos sagrados pelos bispos pois a custódia e o cibório são sómente abençoados. Desde os primórdios cristãos que existiram três tipos de cálices: «ordinários», «ministeriais» e os«offertorii, Os primeiros eram utilizados pelos padres nos sacríficios da missa; os ministeriais tinham grande volume e serviam para dar aos fiéis o vinho consagrado pelo que tinham por vezes duas asas (acabando cerca do século XIII, quando proíbiram a comunhão das duas espécies). Nos «offertorii», os diáconos recolhiam o vinho oferecido pelos fiéis. (...).".Vide Instituto Português de Museus (1995). " Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. A Coleção de Ourivesaria. 1º Volume: do românico ao manuelino", p. 219.
GODRÃO| "Motivo decorativo em forma de lóbulo convexo. É frequentemente empregue em faixas e, por vezes, ligeiramente curvado". Instituto de Museus e da Conservação (2011). "Normas de Inventário: Ourivesaria".
NÓ|"Elemento estrutural que se desenvolve no meio das hastes dos cálices e surgido a partir do século XIV na base das cruzes processionais e de assento de altar, podendo desenvolver-se em forma de castelo, crasta ou calote". Vide Instituto Português de Museus (1995). " Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga. A Coleção de Ourivesaria. 1º Volume: do românico ao manuelino", p. 222.
Centro de Fabrico: Presumivelmente Portugal
Bibliografia
Instituto Português de Museus (1995). "Inventário do Museu Nacional de Arte Antiga: Coleção de Ourivesaria", 1º Volume, 1ª edição.