Técnica: Marfim esculpido; madeira entalhada e estofada; prata fundida e repuxada.
Dimensões (cm): Alt. 19,5 x Larg. 10 x Prof. 6,8
Descrição: SANTA ANA ENSINANDO A VIRGEM A LER, SANTAS MÃES ou SANTANA E A VIRGEM MARIA, constituindo escultura de vulto, de encostar, em marfim; a base assume a forma de peanha em madeira entalhada e dourada, de formato octaédrico, ajustada a partir de eixo que passará pela área interna, e definindo quatro pés separados por aberturas sendo a frontal decorada por dupla espiral encimada por ornato fitomófico, e, nesta mísula, que se alteia centralmente, observa-se um friso de perlado na cercadura; a representação escultórica organiza num só bloco matérico a Virgem e Santa Ana, esta de corpo inteiro, frontalizada, sedente em cadeira de aparato, de espaldar alto ladeado por enrolamentos vegetalistas e terminado por ornato de concha e coruchéus, braços laterais rematados em volutas e pernas anteriores de sugestão zoomórfica (?), a cabeça é guarnecida de um resplendor em prata de recorte circular e com ornato central de estrela, traja uma coifa e sobre esta manto que lançado numa das pontas para o dorso alcança e atravessa a frente e, a outra ponta, mais comprida, envolve o braço esquerdo e descai para o colo e joelhos, túnica até aos pés com flor central à altura do peito; no lado direito da figura materna posiciona-se a Jovem, de pé, voltada 3/4 à direita na ótica do observador, envergando igualmente túnica e manto, sendo o vestuário de ambas as figuras bordejado por cercadura a dourado, e, juntamente com a Mãe, segura um livro aberto sobre o qual exibe o dedo indicador da mão direita; no topo da cabeça observa-se um orifício que daria sustentabilidade a um resplendor em lacuna; o assentamento escultórico consiste em basamento poliédrico sextavado, irregular, com molduras e um friso de perlado na cercadura; a escultura apresenta vestígios de pintura em policromia sendo observáveis as cores verde e carmim, para além do dourado, anteriormente mencionado que acompanha as diferentes componentes, figuras, mobiliário e base.
A peça em análise é um espécime atribuível à produção escultórica em marfim definida a partir de tipologias ocidentais e concretizada por artífices orientais no contexto do Império Português na India, conhecida como Indo-portuguesa.
"As «orientalia» eram formadas por «exotica, rarita, e naturalia», isto é, objetos produzidos com materiais de origem vegetal e animal. Entre os objetos de devoção mais apreciados pelas comunidades religiosas de Quinhentos a Setecentos, destacavam-se as esculturas de vulto em marfim, muitas vezes, guardadas no interior de oratórios em madeira com incrustações em marfim, ébano ou madrepérola. Conservam-se ainda algumas placas em relevo realizadas no mesmo material". In OSSWALD, Cristina. - "The Perception of the Jesuits in the Portuguese World: between the Trade of and the Taste of Orientalia (16th-17th centuries)". In https://www.revistahipogrifo.com/index.php/hipogrifo/article/view/360/pdf
Incorporação: Senhor Dr. José Maria da Costa Júnior