Descrição: Retrato de D. João, Príncipe da Beira e do Brasil, em mais de meio corpo, busto de três quartos à direita, olhando para a frente, peruca com fita trás, vestindo casaca, com a banda das Três Ordens a tiracolo, manto de arminho nas costas e espada à cintura e apontando com o indicador direito para o seu lado contrário, numa moldura oval sobre peanha, inscrita num fundo rectangular, onde se vêem coroas de louros, um saco com pequenos escudos reais com bustos gravados de perfil, coroas de louros e Cruzes de Cristo. No solo, vêem-se um fasces e atributos de Desenho, Pintura e Música.
Ao centro da peanha, com o escudo das armas reais portuguesa, lê-se a inscrição:
D. JOAÕ PRINCEPE
DO BRAZIL
Esta gravura não possui moldura.
Origem/Historial: Príncipe D. João-Terceiro filho de D. Maria I e Pedro III, o Infante D. João nasceu em Lisboa a 13 de Maio de 1767. Em 1785 casa com a Princesa D. Carlota Joaquina de Bourbon, filha mais velha do Rei Carlos IV de Espanha, cinco anos após a chamada "troca as princesas" em Vila Viçosa. Por morte do seu irmão D. José, Prínciper do Brasil, em 1788, torna-se o herdeiro directo do trono.
A partir de 1792 assume a regência do reino, devido à incapacidade da rainha D. Maria I, sendo coroado rei no Rio de Janeiro em 1818, dois anos após a morte daquela soberana. Enquanto regente, D. João tem de enfrentar um dos períodos mais atribulados da história política portuguesa.
O avanço das tropas napoleónicas na Europa, que culmina em Portugal com as Invasões Francesas (1807-1811), obriga à transferência da Corte para o Brasil. Pressionado a regressar à metrópole, onde se desencadeara entretanto a Revolução Liberal de 1820, D. João VI jura a Constituição em 1821. No Brasil ficara o Infante D. Pedro, que em breve se tornaria líder do processo de independência e primeiro imperador do Brasil. Em Portugal, os opositores absolutistas têm na Rainha e no Infante D. Miguel os principais promotores da oposição ao governo constitucional, responsáveis por dois golpes de estado, a Vilafrancada (1823) e a Abrilada (1824); se o primeiro consegue neutralizar temporariamente o governo liberal, o segundo terá o seu desfecho como exílio do Infante D. Miguel. Este permanecerá em Viena até 1828, sendo posteriormente com seu irmão D. Pedro, o protagonista principal da sangrenta guerra civil que oporá absolutistas e constitucionais até 1834.
D. João VI não assistirá no entanto ao desenrolar deste processo, morrendo em Lisboa a 10 de Março de 1826, logo após ter transferido a regência do Reino para a Infanta D. Isabel Maria. A polémica da sua sucessão inicia um novo capítulo da história do conturbado liberalismo português.
Bibliografia
SOARES, Ernesto; LIMA, Henrique C. Ferreira - Dicionário da Iconografia Portuguesa. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 5 volumes, 1947 a 1960