Frontal de altar

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 256
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Têxteis
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 17/18
  • Técnica: Bordado: fio laminado dourado, matiz. Galão tecido, fio laminado, de duas larguras, a debruar toda a peça e a definir cinco painéis; franja larga, fio laminado dourado, na frontaleira
  • Dimensões (cm): Alt. 100 x Larg. 258
  • Descrição: Frontal de gorgorão branco de seda bordada com fio de seda polícroma ( rosa, bejes, verdes, azuis, vermelhos e castanhos) a ponto a cheio, lançado, pé de flor, matiz; fio de ouro e prata estendido, matizado, pontos a ouro em relevo. Galão tecido, fio laminado, de duas larguras, a debruar toda a peça e a definir cinco painéis; franja larga, fio laminado dourado, na frontaleira. "Nos painéis laterais, cortado pela franja, motivo muito semelhante ao do painel da dalmática (255/12PA), embora mais alongado, flor com o centro em forma de disco e em baixo uma concha, além dos motivos fitomórficos serpenteantes, flores abertas e botões; no painel central, motivo não identificado, brasão com chamas no interior, três motivos concheados. Atente-se no motivo central do corpo frontal, que Joaquim de Vasconcelos identifica como a representação das cinco chagas de S. Francisco, indiciando a feitura destinada especificamente ao Convento das Chagas. É nossa convicção, que este frontal deverá ter ocupado lugar de destaque de entre os paramentos daquela casa religiosa, e certamente, inspirador da pintura de altares de capelas das Chagas, como por exemplo, da Capela de São João Baptista e Evangelista que pertenceram ao dito Covento e, hoje, se encontram no Museu. Sobre o tecido base que se encontra muito deteriorado mas que parece ser de origem europeia, insere-se um bordado a sedas policromas e fios metálicos que provoca muitas dificuldades no que se refere à origem de fabrico, e consequentemente datação. Na aplicação das técnicas, em si próprias comuns a várias proveniências, surgem particularidades como o emprego em linhas sucessivas de pontos destinados a dar o matizado ou o preenchimento das pétalas das grandes flores com o fio metálico, que poderia indicar a origem chinesa destas peças. Contudo, o tratamento formal dos motivos não indica claramente essa origem. Surgem também, especialmente nas dalmáticas e estolas, pequenas flores muito realisticamente tratadas, que apontam para um conhecimento próximo de fontes europeias coevas. Apenas se pode afirmar que se trata de peças em que os motivos foram adaptados e que denunciam um imperfeito conhecimento do motivo original e simultaneamente um bom domínio da técnica do bordado. (Poderá considerar-se a hipótese de se tratar de uma encomenda executada fora da Europa ou apenas de influência orientalizante nos bordadores)." (Alarcão, 1998)
  • Incorporação: (conventos extintos) Convento das Chagas em Lamego

Bibliografia

  • ALARCÃO, Teresa - "Paramentaria", Museu de Lamego. Roteiro. Lisboa: IPM, 1998
  • SILVA, José Sidónio Meneses da - "O Mosteiro das Chagas de Lamego. Vivências, espaços e espólio litúrgico. 1588-1906" Dissertação de Mestrado de História da Arte em Portugal apresentada à F.L.U.P.. Porto,: texto policopiado, 1998
  • VASCONCELLOS, Joaquim - Arte Religiosa em Portugal. Vol. XII. Porto: Emílio Biel & C.ª, 1914-15

Obras relacionadas

Multimédia

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