Homem falando com duas vendedeiras

  • Museu: Palácio Nacional da Pena
  • Nº de Inventário: PNP587
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Resende, Francisco José de (Pintura)
  • Datação: 1860
  • Suporte: Tela
  • Técnica: Óleo
  • Dimensões (cm): Alt. 92,6 x Larg. 81,6 x Prof. 7,5
  • Descrição: Pintura representando três figuras, duas femininas e uma masculina, sob uma árvore. O segundo plano é ocupado por uma paisagem campestre onde se vê um rio. Duas das figuras estão representadas de pé, a mulher de perfil, de cabeça baixa e mãos cruzadas sob o colo, e o homem de cabeça inclinada e apoiado num cajado; a outra figura está sentada, segurando uma cesta, fitando o espectador.
  • Origem/Historial: Peça que pertenceu a D. Fernando II na Quinta da Abelheira (Inventário Orfanológico de D. Fernando II, 1886, 3.º volume, folha 2804; Inventário Orfanológico de D. Fernando II, 1886, 8.º volume, folha 4600), com a descrição: "N.º 7551 Homem fallando com duas vendedeiras costumes dos arredores do Porto" Inventariada pela primeira vez no Palácio da Pena em 1907, período de D. Carlos: "1 Um quadro a olio com moldura dourada representando costumes d’Avintes", localizada no compartimento: "Nº1 escriptorio". Corresponde talvez à pintura apresentada em 1860 na Exposição de Belas Artes do Porto, objeto de uma crítica severa publicada num periódico: "Contribuiu o snr. Rezende com dez pinturas a óleo, e em escultura com um busto (…). De tudo isto, a única couza que bem fez foi, no quadro da castanheira do Reimão, o lume e o fumo que pintou bem; e nos Conversados da aldeia, não dezenhou mal a mulher que conversa; o mais, o que não é medíocre, é mau. Naquelle quadro, além dos muitos peccados commetidos pelo snr. Rezende em dezenho, libertou-se elle de toda a regra e preceito de perspectiva. – É bem conhecido o lugar onde a cena se figura; sua área, como todos vêem, é circunscripta a uma breve espaço, mas o autor do quadro desproporcionou tão exageradamente as figuras do segundo com as do primeiro plano que se dirão apartadas quazi 1 kilometro. – Resalta o anacronismo de ver-se daquele ponto a Serra do Pilar e as suas históricas ruínas, mas o artista que a pretendia para o seu quadro venceu essa dificuldade, arremessando em terra com um lanço de muro que, crêu, lh’o impedia. Que crêa, porque nem assim a Serra do Pilar d’alli se vê. – Tornada a Serra e o edifício que sobre ela se ergue acessíveis ao observador, por milagre operado pelo thaumaturgo artista, aí se nos oferecem elles tintos com uma cor azul intensa, como nunca a produziu a natureza tão viva e tão forte, a 10 kilometros de distancia, não obstante a Serra nos ficar apenas transposto o rio Douro em um dos seus mais estreitos pontos. A cútis fina e mimoza com que cobriu a face da mulher que se apresenta no primeiro plano, não é própria da condição que o traje inculca. O monte no ultimo plano dos Conversados da aldeia, listrado com fitas bicolores, ora azues, ora côr de canela, que do cume vem fazendo bichas para baixo, outro que o comente, que aqui não tem cabida" (O Jornal do Porto, 18 de dezembro de 1860).
  • Incorporação: Coleções Reais, Palácio da Pena, 1910
  • Centro de Fabrico: Porto

Bibliografia

  • FRANÇA, José-Augusto - A Arte Portuguesa do Século XIX. Lisboa: IPPC, 1988
  • EHRHARDT, Marion - D. Fernando II - Um mecenas Alemão Regente em Portugal. Porto: Paisagem Editora, 1995.
  • FELGUEIRAS, Guilherme - O Traje Popular Tradicional no Distrito do Porto. Porto: C.M.P., 1969.
  • MOURATO, António - Arco-íris Sobre o Sena: (Francisco José de Resende nas colecções da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto). Revista da Faculdade de Letras. CIÊNCIAS E TÉCNICAS DO PATRIMÓNIO. Porto: I Série, Volume 7 (2003).
  • MOURATO António - Francisco José de Resende: Figura do Porto Romântico (1825-1893). Porto: Edições Afrontamento, 2007.
  • NETO, Maria João Baptista - James Murphy e o restauro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória no século XIX. Lisboa: Editorial Estampa, 1997.
  • SARAIVA, Maria Isabel Duarte - Os Cinco Artistas em Sintra no quadro e no contexto histórico-artístico da época. In Romantismo - Sintra nos itenerários de um movimento. Sintra: Insituto de Sintra, 1988.

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