Técnica: Galão tecido, de fio laminado dourado, a debruar toda a peça e a definir sebastos e capuz; fechos em passemanaria no firmal e a preencher o capuz; franja de fio dourado no capuz.
Dimensões (cm): Alt. 136 x Diâm. 292 (aba)
Descrição: Pluvial em brocado de ouro e prata, tecido lavrado a fio de seda amarelo, carmim e roxo. Galão tecido franjado e galão tecido de fio laminado dourado a debruar toda a peça e a definir sebastos e capuz. Quatro fechos e alamares de passemanaria no firmal e a prender o capuz; franja de fio dourado no capuz.
"Estrutura compositiva de grande dimensão, onde são reconhecíveis elementos de influência claramente oriental, palmetas, grandes flores de... Ver maissgrenhadas, associadas a elementos ornamentais de raiz arquitectónica, e longas folhas ou plumas, dispostas em semeado. Aparentando uma implantação desordenada de motivos, respeita uma ordem geométrica alterada, e essa aparente desordem resulta apenas da própria composição irregular do motivo. Surge como exemplo dos tecidos designados por desenho "bizarro", produzidos predominantemente em Lyon mas também noutros centros como Veneza, no primeiro quartel do século XVIII, fruto do interesse despertado por peças de origem oriental. Referidos em todas as obras sobre tecidos como exemplo de um gosto algo insólito e bem delimitado no tempo, conhecem- se numerosíssimas variantes, precisamente pelas suas características de grande fantasia e liberdade" (Alarcão, 1998)
Paramento composto por: pluvial, casula, gremial, estola, manípulo, pala de cálice e bolsa de corporais.
Origem/Historial: O pluvial é uma capa que, quando estendida, tem a forma de um semicírculo. Foi primitivamente usado por todos os graus da hierarquia da Igreja como protecção para a chuva; daí a sua designação ( de "pluvis", chuva) e a função do capuz que o adereça. Mais tarde, pelo século IX, começou a alargar-se o uso ao cerimonial litúrgico e os membros mais importantes da hierarquia começaram a decorar luxuosamente essas capas com o sebasto, ti... Ver maisra longitudinal à frente e uma cruz nas costas. O capuz torna-se, no século XIV, num mero ornamento, geralmente fixado por cordões ao bordo rectilíneo da capa, e acolhendo a mais cuidada decoração bordada do paramento. Apresenta-se como uma capa aberta à frente, com os lados presos por um rectângulo de tecido (firmal), munido de ganchos, a que se opõe por vezes uma peça metálica (peitoral), podendo ser preso também através de uma jóia. O pluvial também é designado por capa de asperges, dada a sua associação habitual a bênçãos ou cerimónias que implicam a aspersão de água benta.
Joaquim de Vasconcellos refere esta peça bem como a casula do conjunto como pertencendo ao Hospital Novo, Lamego.
Incorporação: (conventos extintos) Convento das Chagas em Lamego; Hospital Novo; Lamego?
( Joaquim de Vasconcelos refere esta peça como pertencendo ao Hospital Novo em Lamego)
Exposição Têxtil Internacional (catálogo). Porto: 1958
SILVA, José Sidónio Meneses da - "O Mosteiro das Chagas de Lamego. Vivências, espaços e espólio litúrgico. 1588-1906" Dissertação de Mestrado de História da Arte em Portugal apresentada à F.L.U.P.. Porto,: texto policopiado, 1998
VASCONCELLOS, Joaquim - Arte Religiosa em Portugal. Vol. XII. Porto: Emílio Biel & C.ª, 1914-15
VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Religiosa em Portugal. Lisboa: Vega, 1994
Exposições
Liturgia do Olhar. Paramentos Litúrgicos dos séculos XVII, XVIII e XIX