Bolsa
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AS.748
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido
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Datação: Século 19/20
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Dimensões (cm): Alt. 35 x Larg. 26
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Descrição: Bolsa de formato rectangular em flanela de lã de cor vermelha. A extremidade superior é aberta formando a boca da bolsa. As orlas laterais e inferior são percorridas por uma fita ondulada de cor azul. Os vértices inferiores apresentam uma pequena borla de lã de cor roxa, amarela, azul, verde, vermelha e branca.
O corpo da bolsa apresenta motivos bordados a ponto de cruz, com fio de lã de cor azul, branca, amarela, verde e roxa. Num dos lados, surge um grande cálice central, do qual brotam árvores. É ladeado, em cima, por duas figuras femininas e, em baixo, por dois corações e quatro cálices. Em baixo deste cálice central, surge um outro, ladeado por uma pomba e por um cão.
Na outra face da bolsa, em cima, surge a inscrição "A(?)NTONIAC [invertida]. M.". Ao centro, surge um cálice, ladeado por duas figuras masculinas semelhantes a cavaleiros, do qual brotam largas ramificações com motivos fitográficos estilizados.
Interiormente, a zona do cós da bolsa é forrado a tecido de algodão de cor vermelha, listado, longitudinalmente, a preto e branco. Este forro forma uma bainha, aberta lateralmente, por onde passa uma fita de cor rosa. A restante área interior é forrada a tecido de algodão estampado com um padrão em hexágono de cor avermelhada e pequenas bolotas de cor preta e vermelha.
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Origem/Historial: A obra literária de Sebastião Pessanha (1892-1966) compreende mais de quarenta trabalhos, sobre temas muito variados, a partir do opúsculo sobre o Ensino Profissional, dado a lume em 1914, e que se encontram na sua maioria dispersos pelas principais revistas de especialidade existentes no tempo. Em 1916, D. Sebastião Pessanha, funda, à sua custa e com Vergílio Correia e Alberto de Sousa como Directores Literário e Artístico, a «Terra Portuguesa».
Para lá da sua obra literária, o interesse de D. Sebastião Pessanha pela etnografia portuguesa mostra ainda outros aspectos, que são também altamente relevantes. Não só dirigiu a secção de Etnografia do Museu Municipal de Sintra, mas - e sobretudo - reuniu para si próprio e em casa uma magnífica colecção, organizada por mão de mestre.
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A esta data (Maio de 2011) o Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo 92 objectos da categoria "Vestuário e Adereços" da região do Alentejo, sendo o principal concelho de recolha Estremoz, com objectos adquiridos a Rafael Rúdio.
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Bibliografia
- AZINHAL, Abelho - "Roteiro Lírico do Alentejo. O Trajo Feminino" in Mensário da casa do Povo, VI, N.º61: 1951
- LAMAS, Maria - As mulheres do meu país. Lisboa: Actuális, 1948
- ABELHO, Azinhal - "O trajar - o trajo feminino" in Mensário das Casas do Povo. VI, nº61, 1951.
- ABELHO, Azinhal - "O trajar - o trajo masculino do Alentejo" in Boletim da Casa do Alentejo, nº200, ano XIX, 1953.
- PESSANHA, Sebastião - Os Trajes Populares e os Estudos de Etnografia. Comunicação a ser enviada ao 1er Congrés Internacional D'Histoire du Costume, reunido em Veneza em Agosto-Setembro de 1952. Lisboa, 1956.
- ROQUE, Joaquim - Alentejo Cem por Cento. Beja, 1940.
- ROSA, João - Alentejo à janela do passado. Lisboa, 1940.
- VASCONCELLOS, José Leite de - "Trajos alentejanos" in Boletim de Etnografia, n.º 2. Lisboa: Imprensa Nacional, 1923
- VASCONCELOS, José Leite de - Terra em Terra, 2. Lisboa, 1927.