Carrinho de passeio / hipomóvel
-
Museu: Palácio Nacional de Mafra
-
Nº de Inventário: PNM 3204
-
Super Categoria:
Arte
-
Categoria: Meios de transporte
-
Autor:
Autor desconhecido
-
-
-
Técnica: Madeira entalhada, policromada e dourada; bronze fundido em molde e dourado; ferro forjado e dourado; couro lavrado.
-
Dimensões (cm): Comp. 320 x Alt. 155
-
Descrição: Carrinho de passeio do tipo "cabriolet", com dois lugares no assento, apresenta caixa aberta decorada, de perfil semicircular, montada sobre quatro rodas.
A caixa é sustida por duas correias de couro, longitudinais e paralelas, que se ligam a dois "crics" situados na traseira do veículo. Estes "crics", em ferro dourado, são compostos por dois pares de rodas dentadas, interligadas por cilindro horizontal que, por sua vez, é sustentado por três hastes fixas à tábua do banco posterior por meio de rebites. Na estrutura estão fixos dois apoios para pé. Contrariamente à maioria dos cabriolets usados pela Família Real em Portugal, este possui lança e não varais, sendo por isso dito "de tronqueiro".
A caixa é aberta, dispõe de painel protetor que se encontra retirado. Os restantes painéis apresentam um rebordo em talha dourada e uma decoração elaborada, com uma cercadura de cariz fitomórfico e cenas mitológicas. Na parte traseira representação de Atlas carregando o mundo nas suas costas, encimado pelas armas reais portuguesas (escudo encimado por coroa real fechada, assente sobre ramos de palma) tendo por tenente a figura alada da Fama, que apregoa com a sua trombeta. De cada lado representação dos quatro continentes: Ásia e Europa, à esquerda, e América e África, à direita. Estão também representados um leão, um elefante e um crocodilo. Deitado aos pés de Atlas encontra-se a reresentação de um velho, evocando o Rio Tejo. No painel do lado esquerdo representação de Leda e o Cisne, estando junto a si a figura do génio do amor, de olhos vendados, e um outro putto que observa. No do lado direito, representação do rapto de Hipodâmia por um centauro e defendida por um guerreiro.
No topo do espaldar existe apenas um pequeno terminal em talha dourada (originalmente dois), com um buquê de flores.
As rodas dianteiras distinguem-se das traseiras pelas dimensões e número de raios, oito à frente e doze atrás. As pinas são cingidas no extradorso por espesso aro de ferro munido de cavilhas. Os raios convergentes e o rodado são lisos e pintador de vermelho zarcão. Interiormente, a caixa é revestida de pele curtida. O cochim do banco é movível, tendo por baixo uma "caixa" com alçapão.
-
-
Origem/Historial: Carrinho de passeio usado pelos membros da Família Real.
-
Incorporação: Proveniente do Palácio de Mafra - Casa Real.
-
Centro de Fabrico: Portugal
Bibliografia
- BÔTO, J[oaquim] M[aria] P[ereira] - Prontuário Analítico dos Carros Nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens de Gala, tomo I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1909
- Carrosses de Cérémonies, de Fêtes, etc. de la Maison Royale de Portugal - Exposition de Milan 1906 - Exposition Rétrospective des Transports par Terre. Lisbonne: Imprimerie Nationale, 1906
- Relação dos Coches, Carruagens, Arreios e outros Objectos em Estado de Serviço que se Acham nas Reais Cocheiras de Belém, Verificada a sua Existe. no Primeiro de Janeiro de 1863. Lisboa: 1 Jan 1863
- SOUSA, Timóteo José; MOURA, José Maria de - Relação dos Coches, Carrinhos, Arreios e Utensílios que Existiam nas Reais Cocheiras do Calvário no dia 15 de novembro de 1853, cuja Existência Data de Época Anterior à do Reinado de Sua Majestade a Rainha Senhora D. Maria Segunda de Saudosa Memória - Duplicado N. 6. Lisboa: 27 fev. 1854