Credência da nau D. João VI

  • Museu: Palácio Nacional de Mafra
  • Nº de Inventário: PNM 1656
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: 1816
  • Técnica: Madeira entalhada, dourada e pintada; tampo de pedra
  • Dimensões (cm): Alt. 105 x Larg. 180 x Prof. 76
  • Descrição: Credência retangular em talha dourada, composta por tampo revestido a jaspe, friso decorado com feixes de espadanas ou foguetes (Typha latifolia ou Typha domingensis), apoiado em quatro colunas dóricas assentes em socos quadrangulares, com os fustes carregados com duas âncoras de duas unhas. Na parte inferior dispõe de prateleira de friso simples e tampo imitando jaspe.
  • Origem/Historial: Credência cuja tradição refere ter pertencido ao mobiliário da esquadra que fez o retorno da Família Real portuguesa, procedente do Brasil, em 1821, muito provavelmente deverá ter integrado as estâncias régias da nau “D. João VI”, navio chefe da armada. Ponderando-se esta tese, a credência deverá datar de 1816, ano em que a embarcação foi construída. A nau rebatizada de “D. João VI”, antes recebeu os nomes de “Nossa Senhora dos Mártires” e de “D. João, Príncipe Regente”. Era uma verdadeira fortaleza flutuante, com capacidade para mais de 500 tripulantes e armada com um arsenal de 74 bocas-de-fogo. As estâncias régias eram mobiladas e decoradas com peças adequadas ao estatuto real, mas também às características funcionais da embarcação, condicionando o desenho das mesmas no sentido de lhes conferir um pendor mais militar, e de maior peso e resistência. A credência é decorada com motivos ligados à água, recorrendo a feixes de espadanas ou foguetes (Typha latifólia ou Typha domingensis) e com aplicação de âncoras. Embora se desconheça o autor do desenho e o marceneiro construtor da credência, importa considerar a hipótese de ter sido esboçada pelo pintor Domingos António Sequeira, autor de outros elementos decorativos desta embarcação, como a figura de proa que representava o Génio de Lísia, figura simbólica de enaltecimento da glória da luta contra o despotismo. Esta peça de mobiliário terá acompanhado diversas expedições desta embarcação. A primeira, a de transportar a arquiduquesa Maria Leopoldina e a sua comitiva, da Áustria para o Brasil, em 1817; depois, em 1821, a do regresso de D. João VI a Portugal; participou ainda em diversas campanhas entre Portugal e Brasil, sempre representando a Coroa Portuguesa; em 1826 desempenhou uma comissão a Brest, conduzindo o infante D. Miguel ao Rio de Janeiro; em 1829, saiu incluída numa expedição miguelista aos Açores; a 5 de agosto de 1833, participou na batalha naval do Cabo de São Vicente. Em 1852 a comissão de vistoria do arsenal da Marinha deu o navio por escusado, sendo nau “D. João VI” abatida ao serviço, em 1852, desmanchada e parte do seu acervo reitegrado.
  • Incorporação: Proveniência: Paço de Mafra
  • Centro de Fabrico: Lisboa

Bibliografia

  • SILVA, Jorge Manuel Moreira Silva: “A Marinha de guerra portuguesa desde o regresso de D. João VI a Portugal e o início da Regeneração (1821-1851) - Adaptação a uma nova realidade”, tese de mestrado em História Marítima pela Faculdade de Letras da Universidade Lisboa, 2009
  • https://arquivohistorico.marinha.pt/details?id=8524 (consultado a 21.11.2019)
  • https://portogente.com.br/colunistas/silvio-dos-santos/84864-transporte-modal-a-esquadra-portuguesa-que-conduziu-a-familia-real-para-o-brasil (consultado a 21.11.2019)

Multimédia

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