Meia de senhora (par)

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 2658 (a, b) MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (Fabricante de meias)
  • Datação: Século 19/20
  • Dimensões (cm): Comp. pé, 21 x Alt. perna, 66,5
  • Descrição: Par de meias altas de senhora confeccionado mecanicamente em tecido de malha de fio de seda (?). Cada elemento é estruturado através do desenvolvimento vertical da malha com costura na parte posterior desde a área correspondente à coxa, através do cano da perna até ao calcanhar; uma outra união mais pequena e longitudinal define o pé e duas curtas costuras desenham o calcanhar; na parte superior, insere-se uma bainha de remate, que, simultaneamente, permite um reforço têxtil para a fixação das meias às pernas. As peças em foco apresentam-se de cor negra ornamentadas por grupos de três tarjas vermelhas dispostas transversalmente; em ambos os exemplares, entre a primeira e a segunda faixa colorida a partir de cima, foram bordadas as iniciais maiúsculas MG a linha de algodão (?) de cor vermelha e a ponto de cruz; numa das meias, o bordado é intercalado por um duplo tetrafólio realizado em ponto aberto de tecelagem (?), que se repete isolado no segundo espécimen, desconhecendo-se o significado de ambos os motivos. As meias em análise inserem-se numa tipologia estética que foi moda entre as classes abastadas portuguesas/europeias no decurso do século XIX, mas que, como muito outros elementos culturais transmigrou para o vestuário popular. A historiadora Teresa Soeiro refere que em Portugal, a elaboração industrial de meias foi vulgarizada desde o século XVIII, a fim de corresponder às exigências do traje masculino e feminino da época, existindo fábricas em Alcobaça, Almada, em Tomar, no Porto e, laborando mais de duas dezenas, em Lisboa, nomeadamente, a Real Fábrica de Sedas. O investigador Jorge Borges de Macedo divulgou que se realizavam meias em seda, linho, algodão e lã. A fim de proteger a produção nacional foram promulgados alvarás reais, uns criando isenções, outros proibindo a entrada de meias de seda de cores. Desde pelo menos a partir do último quartel do século XVIII existia a possibilidade de concretizar o fabrico de meias às riscas.
  • Incorporação: Aquisição pela Assembleia Distrital de Braga.
  • Centro de Fabrico: Presumivelmente Portugal.

Bibliografia

  • MACEDO, Jorge Borges de. - "A situação económica no tempo de Pombal". Lisboa. 3ª edição, 1989.
  • SOEIRO, Teresa. - " As fábricas de tecido do estreito no Porto, segundo o inquérito de 1814". In «Portugália», Nova Série, Volume XXV.

Multimédia

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