Meia de senhora (par)

  • Museu: Museu dos Biscainhos
  • Nº de Inventário: 2659 (a, b) MB
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (Fabricante de meias)
  • Técnica: Tecelagem e costura industriais de malha (?); bordado a ponto de cruz com linha de algodão vermelha sobre tecido de malha de seda (?).
  • Dimensões (cm): Comp. pé, 20 x Alt. perna, 64 x Larg. coxa, 26
  • Descrição: Par de meias altas de senhora de confecção fabril em tecido de malha de fio de seda (?). Cada elemento é estruturado através do desenvolvimento vertical da malha com costura na parte posterior desde a área correspondente à coxa, através do cano da perna até ao calcanhar; sendo o recorte deste reforçado por duas curtas ligações laterais; uma outra união mais pequena e longitudinal define o pé e existe um curta costura transversal na biqueira; na parte superior, insere-se uma bainha de remate, que, simultaneamente, permite um reforço têxtil para a fixação das meias às pernas. Os exemplares em foco foram concebidos em cor creme de fundo, ornamentada por grupos iguais e paralelos de oito riscas pretas e vermelhas, dispostas transversalmente; em ambas as peças, na área da bainha que concretiza o remate superior, foram bordadas as iniciais maiúsculas "M.G." a linha de linho (?) de cor vermelha e a ponto de cruz, desconhecendo-se o significado das letras. Os dois elementos encontravam-se originalmente unidos a linha vermelha na ponta do pé, atestando que as mesmas não haviam sido usadas. As meias em análise inserem-se numa tipologia estética que foi moda entre as classes abastadas portuguesas/europeias no decurso do século XIX, mas que, como muito outros elementos culturais transmigrou posteriormente para o vestuário popular. A historiadora Teresa Soeiro refere que em Portugal, a elaboração industrial de meias foi vulgarizada desde o século XVIII, a fim de corresponder às exigências do traje masculino e feminino da época, existindo fábricas em Alcobaça, Almada, em Tomar, no Porto e, laborando mais de duas dezenas, em Lisboa, nomeadamente, a Real Fábrica de Sedas. O investigador Jorge Borges de Macedo divulgou que se realizavam meias em seda, linho, algodão e lã. A fim de proteger a produção nacional foram promulgados alvarás reais, uns criando isenções, outros proibindo a entrada de meias de seda de cores. Desde pelo menos a partir do último quartel do século XVIII existia a possibilidade de concretizar o fabrico de meias às riscas.
  • Incorporação: Aquisição pela Assembleia Distrital de Braga.
  • Centro de Fabrico: Presumivelmente Portugal.

Bibliografia

  • MACEDO, Jorge Borges de. - "A situação económica no tempo de Pombal". Lisboa. 3ª edição, 1989.
  • SOEIRO, Teresa. - " As fábricas de tecido do estreito no Porto, segundo o inquérito de 1814". In «Portugália», Nova Série, Volume XXV.

Multimédia

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