Adorno de cabeça
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AD.552
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Ritual
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Autor:
Autor desconhecido
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Datação: Século 19/20
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Dimensões (cm): Comp. 25 x Larg. 60
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Descrição: Máscara de madeira, de formato grosseiramente rectangular, que representa uma cabeça estilizada de tubarão martelo.
Na face superior estão gravados em alto-relevo dois tubarões martelo, simetricamente opostos, a preto sobre um fundo branco. A base da máscara está pintada de preto e é contornada por duas caneluras.
Na face inferior, destaca-se uma abertura que figura a boca do tubarão, com o rebordo serrilhado. A superfície está pintada de vermelho e a boca contornada a preto. Sob a boca pendem franjas e fios torcidos de fibras vegetais e tiras de folhas de palmeira, envolvidos aos pares, estilizando tranças.
Da base da máscara pendem várias cordas de tiras vegetais entrançadas.
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Origem/Historial: As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
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Bibliografia
- GALHANO, Fernando - Desenho Etnográfico de Fernando Galhano - II África. Lisboa: IICT/INIC/CEE, 1985
- HERREMAN, Frank, ed. lit. - Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova York: Museum for African Art/Snoeck-Ducaju & Zoon, Gent, 2000
- Museu de Etnologia do Ultramar - Povos e Culturas. Lisboa: JIU/MEU, 1972
- Duquette, Danielle Gallois - Dynamique de l'art bidjogo (Guinée-Bissau): contribution a une anthropologie de l'art des sociétés africaines. Lisboa: IICT, 1983
- GALHANO, Fernando - Esculturas e objectos decorados da Guiné Portuguesa no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigação do Ultramar/Centro de Estudos de Antropologia Cultural, 1971
- HENRY, Christine - "Danses et travestissements bijago (Guinée-Bissau)" in: Mascarades et Carnavals. Paris: Musée Dapper, 2011
- Escultura africana no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1968
- DUQUETTE, Danielle Gallois - "Informations sur les arts plastiques des Bidyogo" in: Art d'Afrique noir, 18, 1976: 26-43
- Moreira, José Mendes - Breve ensaio etnográfico acerca dos Bijagós. [Bissau: s.n.], 1946
- Lima, Augusto J. Santos - Organização económica e social dos Bijagós. [S.l.: s.n.], 1947
- Scantamburlo, Luigi - Etnologia dos Bijagós da Ilha de Bubaque. Lisboa: Inst. de Investigação Científica Tropical ;, 1991