Máscara
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AP.773
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Ritual
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Autor:
Pintor
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Datação: Século 19/20
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Dimensões (cm): Alt. 49,5 x Larg. 57
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Descrição: Máscara tipo elmo, de madeira, que representa realisticamente uma cabeça de boi.
Possui dois chifres naturais e duas pequenas orelhas projectadas para os lados.
Os olhos são de vidro e circundados por uma rodela de couro. Junto a estes, alguns sulcos simulam rugas. O focinho é curto, com o topo perfurado transversalmente. A boca está aberta com a língua à vista. O cachaço é constituído por uma peça de madeira independente, arqueada, com a superfície canela, ligada à cabeça por várias aselhas de fibra vegetal.
Pintada com um induto branco, mas com pormenores a preto, como o focinho, triangulo na testa, rugas sobre os olhos, parte das orelhas e o que parece ser um peixe no lado esquerdo do focinho.
Ambos os chifres apresentam uma cinta de pele com pêlo na base. O focinho é atravessado por uma corda que passa por baixo das orelhas e prende atrás no cachaço.
Num dos chifres encontra-se um autocolante com o número "687" manuscrito.
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Origem/Historial: Complemento da máscara usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança.
As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.
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Bibliografia
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- HERREMAN, Frank, ed. lit. - Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova York: Museum for African Art/Snoeck-Ducaju & Zoon, Gent, 2000
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de - Escultura africana em Portugal. Lisboa: JIU/MEU, 1985
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- GALHANO, Fernando - Esculturas e objectos decorados da Guiné Portuguesa no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigação do Ultramar/Centro de Estudos de Antropologia Cultural, 1971
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- DUQUETTE, Danielle Gallois - "Informations sur les arts plastiques des Bidyogo" in: Art d'Afrique noir, 18, 1976: 26-43
- BORDONARO, Lorenzo I. - Iniziazione Maschile e Musica trai i Bijagó di Bubaque (Guinea-Bissau), Università degli Studi di Torino, Facoltà di Lettere e Filosofia, Corso di Laurea in Filosofia (Tesi di Laurea in Antropologia Culturale), 1998 [CD]
- Moreira, José Mendes - Breve ensaio etnográfico acerca dos Bijagós. [Bissau: s.n.], 1946
- Lima, Augusto J. Santos - Organização económica e social dos Bijagós. [S.l.: s.n.], 1947
- Scantamburlo, Luigi - Etnologia dos Bijagós da Ilha de Bubaque. Lisboa: Inst. de Investigação Científica Tropical ;, 1991