Jugo

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AR.473
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Transportes
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 19/20
  • Dimensões (cm): Alt. 38 x Larg. 107,5 x Esp. 10
  • Descrição: Jugo de tábua de madeira, com formato geral trapezoidal. O rebordo superior é denteado e ligeiramente elevado a meio em ângulo muito aberto. Os rebordos laterais são ligeiramente curvos. O rebordo inferior apresenta duas largas reentrâncias semi-circulares- as golas- com umas pontas inferiores. As pontas exteriores são elementos separados fixos à tábua. Entre as golas, o rebordo inferior é irregular. Na duas faces é visível uma janela de dez grandes aberturas funcionais e decorativas. A face da frente não apresenta nenhuma decoração além de três linhas horizontais incisas junto ao rebordo superior. A face de trás não apresenta nenhuma decoração além de quatro linhas horizontais incisas junto ao rebordo superior. Abaixo da janela, acima das golas, duas correias de couro passam por três orifícios circulares. Duas chapas metálicas finas e curvas reforçam as pontas exteriores das golas.
  • Origem/Historial: A colecção de jugos portugueses do Museu Nacional de Etnologia (MNE) faz parte de um conjunto mais vasto de recolhas que resultaram de um percurso de pesquisa sobre as técnicas e tecnologias tradicionais em Portugal. Este programa foi iniciado no terreno em 1947, pelo Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, constituído por Ernesto Veiga de Oliveira (1910- 1990), Fernando Galhano (1904-1995) e Benjamim Pereira (1928), e sob a direcção de Jorge Dias (1907-1973). Este programa de investigação, que durou trinta anos, levou ao levantamento e o conhecimento sistemático da realidade rural de norte a sul do país. As campanhas de recolha dos objectos iniciaram-se após a criação da Missão Organizadora do então Museu de Etnologia do Ultramar (MEU) em 1962 e intensificaram-se com a sua criação formal em 1965. O estudo dos Sistemas de atrelagem dos bois em Portugal, escrito por Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira, e publicado em 1973, resultou daquele percurso de pesquisa e recolha. Neste estudo foram distinguidos pela primeira vez os dois tipos morfológicos de jugos em Portugal: o jugo de trave e o jugo de tábua. A colecção compoe-se de 59 jugos de tábua exclusivamente provenientes do Noroeste de Portugal e de 41 jugos de trave oriundos de outras partes do País. A maior parte da colecção de jugos foi adquirida entre 1962 e 1968, com vista a apresentar um conjunto destes na “Exposição de Alfaia Agrícola Tradicional Portuguesa” organizada pelo MEU em Julho 1968, por ocasião da 4° conferência de “Ethnologia Europeae”. Os outros jugos foram adquiridos entre 1969 e 1973, e ainda entre 1977 e 1987, com vista ao enriquecimento do conjunto inicial. Segundo o ofertante, este jugo data da primeira metade du século XIX. Constituiu prenda de noivado. Tipologias deste jugo: Variante da Maia Sistema de atrelagem jugular e cornal

Bibliografia

  • BRITO, Joaquim Pais de, e outros (coords.) - O Voo do Arado. Lisboa: MC/IPM/MNE, 1996
  • GALHANO, Fernando - Desenho Etnográfico de Fernando Galhano I - Portugal. Lisboa: IICT/INIC/CEE, 1985
  • GALHANO, Fernando (*) - Objectos e alfaias decoradas no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1968
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de(*); Galhano, Fernando; Pereira, Benjamim - Sistemas de Atrelagem dos Bois em Portugal. Lisboa: Instituto de Alta Cultura/Centro de Estudos de Etnologia, 1973

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