Travessa / Serviço de Mesa [IDM]
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Museu: Palácio Nacional da Ajuda
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Nº de Inventário: 50394
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Cerâmica
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Autor:
Autor desconhecido (Ceramista)
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Datação: Século 18/19
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Técnica: Porcelana modelada, pintura em policromia com esmaltes da Família Rosa (cor-de-rosa, verde, azul, amarelo, preto) e ouro sobre o vidrado.
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Dimensões (cm): Alt. 2,5 x Larg. 25,7 x Prof. 19,7
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Descrição: Travessa elíptica, de porcelana chinesa de exportação, de fundo e aba planos. Decorada com pintura de esmaltes policromos da paleta 'Família Rosa' (cor-de-rosa, verde, azul, amarelo, beringela, vermelho-ferro, preto) e ouro sobre vidrado. Trata-se possivelmente de uma travessa de molheira ou terrina de pequena dimensão.
O motivo principal representa uma cena de exterior, junto a um lago, num jardim com bananeiras e prúnus, limitado por uma vedação pontuada por peças balaustriformes que aparentam ser de porcelana azul e branca. Ao centro, uma figura masculina, claramente abastada, protege a cara com um leque enquanto levanta um ramo em direcção à sua interlocutora, uma jovem debruçada na janela de uma habitação. Sobre a zona de 'céu' foi pintado a ouro o monograma 'IDM', em maiúsculas cursivas. A parede da caldeira é delimitada, superior e inferiormente, por um filete preto e um outro dourado. Sobre a aba desenvolve-se uma paisagem lacustre, com uma miríade de pequenos insectos, lagartas, caranguejos, insectos vários, caniços e flores. O rebordo da travessa foi realçado com um filete a ouro.
Tardoz da aba a branco e base não vidrada.
Tema retratado:
De acordo com a informação da Dra. Wen Jing (julho 2024), investigadora doutoranda de porcelana chinesa de exportação, as cartelas historiadas deste serviço referem-se à história de Pan Jinlian e Ximen Qing. Nesta peça em particular, representa-se a cena em que "Pan Jinlian conhece Ximen Qing. A Pan Jinlian usou um pau para apoiar a janela e abriu-a, mas inesperadamente o pau caiu da janela, que por acaso foi apanhado pelo Ximen Qing que estava a passar. O Ximen Qing é um homem famoso, bonito e rico, mas tem muitas mulheres. Apaixonou-se pela bela Pan Jinlian assim que olhou para cima e a viu, pelo que usou um leque para proteger a cara. A China antiga era muito conservadora em relação a homens e mulheres, e tapar a cara com um leque reflete a sua timidez e vergonha.
A história da Pan Jinlian e o Ximen Qing é uma história de traição que todos os chineses conhecem. A sua história foi escrita pela primeira vez em Margem da Água (Shui Hu Zhuan) (1524), que é um dos quatro grandes romances chineses. Mais tarde, foi escrita em 'A Ameixa no Vaso Dourado' ou 'O Lótus Dourado' (Jin Ping Mei) (1617), um famoso romance erótico chinês. Há diferenças no retrato das histórias sobre as duas personagens nestes dois livros, mas a relação entre as personagens, bem como o erotismo, permanece o mesmo."
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Origem/Historial: A inscrição do monograma IDM aponta para a pertença desta peça a um serviço de mesa do Infante D. Miguel (Queluz, 26 de outubro de 1802-Wertheim, 14 de novembro de 1866), título usado entre 1802 a 1825/6, ou à Infanta D. Maria da Assunção (Queluz, 1805- Santarém,1834), filha mais nova de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, que morre solteira no cerco de Santarém, onde se encontrava com o seu irmão D. Miguel, como sua aliada. Para além desta travessa, existem ainda outras peças deste serviço que, apesar de muito incompleto, conserva ainda uma taça de caldo, chávenas de chá de modelo europeu (com asa) e pires, taças de chá de modelo asiático (sem asa) e pires, covilhetes, pratos rasos, pratos de doce (inv. 49273 a 49295, 50373 a 50388 e 50395) no acervo do Palácio Nacional da Ajuda, a par de peças de prata com este mesmo monograma. O facto da infanta ter de morrido solteira teria justificado o retorno das peças à posse da Casa Real. Por outro lado, algumas caixas com peças de prata e porcelana pertencentes à Infanta foram encontradas 'escondidas' no Palácio da Ajuda, depois das guerras liberais, o que apontaria para esta segunda hipótese de pertença das peças.
Registe-se a curiosidade das peças remanescentes deste serviço apresentarem este monograma com várias formas e cores, em reserva ou não, como se de ensaios se tratasse, ainda que o não possamos confirmar.
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Percurso da peça:
1911 > Arrecadação das Pratas e Loiças [N'] do Palácio Nacional da Ajuda
15.09.1972 > Transferido para a Residência do Presidente do Conselho de Ministros
20.01.1982 > não localizada /Casa de jantar do 2º Andar, segundo anotação post. no doc. de 1982.
11.02.2010 > Sala de Audiências (armário-louceiro)
21.05.2012 > idem
23.01.2020 > devolvida ao Palácio Nacional da Ajuda > Reserva de porcelana > 30G
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Teria uma etiqueta do Arrolamento dos Paços «N’ 185» quando da inventariação e ainda na peça quando do depósito, entretanto perdida, com o código alfa-numérico do arrolamento. Esta cota foi posteriormente inscrita numa etiqueta autocolante para referência. Retirada esta etiqueta, por razões de conservação, foi mantida a da Residência Oficial do Primeiro Ministro, por razões históricas.
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Incorporação: Casa Real
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Centro de Fabrico: China, Jiangxi, Jingdezhen