Botirão

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BC.932
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Pesca
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 20/21
  • Dimensões (cm): Comp. 125 x Alt. 76 x Larg. 55,5
  • Descrição: Armadilha de pesca constituída por um arco em pau de loureiro, que contém no seu interior uma sucessão de três aros em metal, revestidos por uma rede de nylon multifilar. Em contexto de uso a peça tem a forma cónica e a respectiva boca mantem-se sempre aberta. O objecto é formado pelo arco Bocal, que constitui a abertura; pelo aro Cernilheiro, o segundo aro; o aro do Meio, o terceiro aro; e o aro do Rabicho, o último. Do aro cernilheiro sai a cernelha: parte da rede que inicia a rede interna, formada por cernelha e buço. O buço vai estreitando (isto é diminuindo o número de malhas) em direcção à parte interna da armadilha, até aos fiéis - três cordas que engatam no buço e se fixam no rabicho. O cambo é a zona das malhas entre a cernelha e o arco bocal.
  • Origem/Historial: A colecção já existente no MNE de Pesca Artesanal Portuguesa é constituída por objectos colectados nos anos sessenta e setenta do século XX por Lino da Silva (97 registos), Ernesto Veiga de Oliveira e Sebastião Pessanha (33 registos cada um) - tendo também colaborado Carlos Medeiros, Rafael Rúdio, Margarida Ribeiro, Lapa Carneiro e Margot Dias. O conjunto de artes de pesca reunido na campanha etnográfica sistematizada pelo Doutor Luís Martins, iniciou-se em 2004, resultou inserida no projecto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com bolsa de Pós Doutoramento em Antropologia. Propunha, como núcleos de pesquisa, a constituição de uma nova colecção etnográfica e a estruturação de uma exposição no MNE. Ao longo da pesquisa pretendeu-se analisar e dar conta das transformações tecnológicas no sector resultantes da integração de Portugal na União Europeia. Nesta acção agregou-se 327 peças, uma parte das quais, (170 registos) são artes apreendidas pelas capitanias marítimas, porque consideradas em situação ilegal: utilização em época não autorizada, ou num local não permitido, ou por o tipo de aparelho não ser licenciado. A recolha foi efectuada, na sua maioria, por Luís Martins (233 registos) tendo também colaborado Cláudia Freire, Joaquim Pais de Brito, João André, João Coimbra e Marta Pita. Esta arte de pesca é também utilizada no rio Douro, para a captura ao salmão, ao escalo, à boga, ao sável, à taínha, á enguia, à truta, ao muge. No troço que faz fronteira com Espanha foi identificada a sua presença entre Monção e Barjas, onde o rio é mais acidentado, e onde existem várias pesqueiras de ambas as margens.

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