Adorno de cabeça

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AD.546
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 20
  • Descrição: Adorno de cabeça constituído por duas peças de madeira, em forma de pequenas espátulas fixas nas extremidades dum conjunto enchouriçado de fibras vegetais formando um arco. No topo deste arco, vê-se ainda uma outra peça pequena de madeira, aberta em leque, destacando-se nas faces um contorno em alto relevo de busto humano. No topo, um tufo de crinas pretas. Feixes de fios torcidos de fibras vegetais pendem com pingentes, das extremidades do arco.
  • Origem/Historial: Máscara usada pelos rapazes da classe de idade pré-iniciática "karo" ("cabaro", "kalo") em momentos de dança. As performances com máscaras são a face mais visível do sistema de organização social que tem estruturado a comunidade Bijagó, segundo o qual os homens estão sujeitos a uma hierarquia de classes de idade desde muito novos. A progressão pelos sucessivos grupos etários é fortemente marcada até certa idade pela participação em apresentações públicas nas quais se interligam elementos como música, canto e dança. Estas atuações são verdadeiras performances artísticas, através das quais os protagonistas experimentam sensorialmente os valores e conduta morais que a comunidade exige de si. As máscaras são um dos aspectos mais visíveis destas atuações e evidenciam por si só a fase de maturação em que se encontram os indivíduos. Estas podem representar animais aquáticos como o peixe-serra e o tubarão ou animais terrestres como a vaca, o boi ou o búfalo. Quando mais leves e pequenas, são atribuídas aos mais jovens, mimetizando a sua inexperiência. O peso, grande dimensão e ferocidade de outras, representam a pujança física e a exuberância da juventude ainda indomada característicos de uma fase anterior à iniciação ("fanado"). O despojamento mais tardio do colorido e da complexidade dos trajes no homem adulto traduz a valorização da sabedoria e poderes rituais próprios dos anciãos.

Bibliografia

  • HERREMAN, Frank, ed. lit. - Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova York: Museum for African Art/Snoeck-Ducaju & Zoon, Gent, 2000
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de - Escultura africana em Portugal. Lisboa: JIU/MEU, 1985
  • Museu de Etnologia do Ultramar - Povos e Culturas. Lisboa: JIU/MEU, 1972
  • Duquette, Danielle Gallois - Dynamique de l'art bidjogo (Guinée-Bissau): contribution a une anthropologie de l'art des sociétés africaines. Lisboa: IICT, 1983
  • GALHANO, Fernando - Esculturas e objectos decorados da Guiné Portuguesa no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigação do Ultramar/Centro de Estudos de Antropologia Cultural, 1971
  • Escultura africana no Museu de Etnologia do Ultramar. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1968

Multimédia

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