Alabarda da Guarda Real dos Archeiros de D. José
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: AR 0018
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Armas
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1750/1775
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Técnica: Madeira polida; ferro forjado.
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Dimensões (cm): Alt. 207,5 x Larg. 24
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Descrição: Alabarda constituída por longa haste de madeira, guarnecida de choupa lanceolada, sobreposta na base a uma folha cortante com o gume em segmento de círculo e, do outro lado, a um prolongamento horizontal de recorte trilobado. Em baixo, junto à argola de secção octogonal que encima o encaixe da lâmina, as duas metades da mesma descrevem um pequeno arco.
A folha tem gravadas as armas reais portuguesas em cartela concheada, assente sobre duas aletas afrontadas, das quais pende a grã-cruz da Ordem de Cristo. O escudo é encimado por coroa real fechada. No prolongamento trilobado, o monograma coroado de D. José I sobre duas palmas cruzadas. Ao centro, no ponto de intersecção da choupa com a folha, uma coroa de louros invertida, sobre duas palmas. A lâmina é contornada superior e inferiormente por linha incisa que, à semelhança dos restantes motivos gravados,
desapareceu parcialmente.
A lâmina liga-se à haste por meio de encaixe alongado e facetado que apresenta na base uma peça metálica com remates semiesféricos, a qual atravessa horizontalmente a haste. Soldadas ao encaixe e cravadas na haste, duas meias-canas.
O remate inferior da alabarda tem a forma de um cone liso e invertido.
Inclui-se também na categoria de insígnias e distintivos.
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Origem/Historial: Alabarda utilizada pelos soldados da Companhia do Príncipe, a terceira da Guarda Real dos Archeiros.
Origem da Guarda Real de Arqueiros
À semelhança de outras cortes estrangeiras, existiam em Portugal Guarda Reais.
No reinado de D. João II é criado um corpo ( Séc XV) para defender a porta de entrada do Paço Real perante os desacatos e brigas que, por vezes, se verificavam entre os fidalgos . "Decidiu o rei que Estevão Gonçalves formasse um grupo com 12 homens decididos, vestidos com as cores reais e armados de alabarda que podiam matar sem mais avisos aqueles que puxassem de armas à sua vista." Ilustração portugueza
D. Manuel substitui-o pela Guarda da Câmara e com D. Catarina , viúva de D.João III, criou-se a Guarda dos Alabardeiros.
Com Filipe II as Guardas Reais eram constituídas pela guarda espanhola e pela guarda alemã, a guarda era composta por 1 capitão, 1 tenente, 65 soldados, entre os quais 4 cabos de esquadra, 1 escrivão, 1 apontador e 1 tambor.
A dinastia de Bragança acrescentou uma guarda portuguesa. No regimento de 1643 foi referido que os soldados deveriam ser portugueses, católicos, cristãos velhos e homens de bem e ter entre 20 e 30 anos.
Com D. Pedro II altera-se o nome para Guarda Real de Arqueiros.
in Pedro Urbano da Gama Machuqueiro "nos bastidores da Corte" Tese de Doutoramento em História Contemporânea , 2013.
Após D. Pedro II existiam três companhias (portuguesa, alemã e do príncipe). Os cargos de capitão das três companhias eram sempre hereditários e correspondiam a um alto cargo na corte portuguesa. Para além do capitão comandante, a Guarda Real dos Archeiros compunha-se ainda de um tenente, honorários, dois sargentos, seis cabos, sessenta soldados efectivos e cento e quarenta honorários, um tambor e um pífaro.
No reinado de D. José I, era capitão desta companhia D. António Joaquim de Castelo Branco Correia e Cunha (1745-1784), 5º Conde de Pombeiro e senhor das alcaiadarias-mores, comendas e vínculos da sua Casa.
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Incorporação: Palácio das Necessidades.
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Bibliografia
- FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
- KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
- MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989