Cálice (2)

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 3835
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Vidros
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 17/18
  • Técnica: Vidro soprado e trabalho à pinça.
  • Dimensões (cm): Alt. 12 x Diâm. 6,9
  • Descrição: Cálice de base discóide com bordo revirado para o exterior; pé formado por pequena coluna com caneluras oblíquas encimada por três botões de dimensão crescente e anel plano ao qual veio soldar-se a copa. A base, o pé e a copa foram realizados em vidro transparente incolor. A copa apresenta ornamentação "a penne" em branco opaco. Ao pé foram adicionados outros motivos decorativos:2 asas diametralmente opostas, também em vidro amarelo, turquesa, rosa e branco opacos. É conjunto do cálice Invº3817.
  • Origem/Historial: Segundo o Arrol. PNA , esta peça encontrava-se no interior de uma vitrine na denominada Sala do Retrato da Rainha no Andar Nobre. Estava descrita como: "Floreira de cristal de Veneza, inteiramente igual à descripta sob o nº36, nesta mesma vitrine." Os modelos de cálice com asas de forma auricular e decoração de flores aplicadas no pé surgiram na produção veneziano no século XVII. Na maioria dos casos eram peças decorativas e de oferta. Seguindo os cãnones estéticos do período barroco, a decoração com flores policromas em "lattimo" ou vidro opaco foi muito apreciada e usada em finais do século XVII e início do século XVIII, época em que os sopradores muraneses realizaram uma importante produção para oferta ao rei Frederico IV da Dinamarca, por ocasião da sua visita a Veneza. É um conjunto raro de belas peças em vidro soprado que ainda hoje se pode observar no castelo de Rosenborg, em Copenhaga. Segundo Rosa Barovier Mentasti, o conjunto de cálices do Palácio Nacional da Ajuda está enquadrado cronológicamente nesse período de fabrico. Estes cálices "gobelet" caracterizados por este tipo de asas e decoração ("Winged handles" ou "Winged gobelets"). Com o passar dos tempos, a ornamentação das asas foi-se tornando cada vez mais elaborada. Muitos vidreiros muraneses/ Venezianos foram trabalhar para os Paises Baixos e outros paises europeus e trouxeram com eles métodos e estilos incluindo o destes cálices. Uma carta de Diogo António Palmeiro Pinto, datada de 6 de Setembro de 1864, endereçada ao conselheiro F. Gerschey, informa o envio de caixas pelo vapor francês "valle do havre", cujo conteudo engloba entre outros itens, "dois copos de vidro de Veneza antigos" para o rei D. Luís I (ANTT, CR, CX 4741) O Corning Museum of Glass tem uma peça semelhante, mas sem a decoração floral, datada de entre 1675/1725 (accession number 79.3.484).
  • Incorporação: Casa Real
  • Centro de Fabrico: Murano. Veneza. Italia.

Bibliografia

  • MEHLMAN, Felice - "Phaidon Guide to Glass", Oxford: Phaidon Press Ltd, 1982
  • PHILLIPS, Phoebe - The Encyclopedia of Glass. London: Spring Books, 1981
  • APNA, Direcção Geral da Fazenda Pública, Arrolamento do Palácio Nacional da Ajuda, vol. 8, 1912
  • "Ricordo di Venezia. Vidros de Murano da Casa Real Portuguesa", catálogo da exposição, Imprensa Nacional Casa da Moeda e Palácio Nacional da Ajuda. Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa, de julho a novembro de 2015.

Exposições

  • "Ricordo di Venezia. Vidros de Murano da Casa Real Portuguesa"

    • Palácio Nacional da Ajuda
    • 20/7/2015 a 29/11/2015
    • Exposição Física

Multimédia

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