Descrição: Tala com o formato de uma vara, ligeiramente curva, feita em madeira com casca. Numa das faces, e em todo o comprimento, apresenta vários entalhes: traços simples, finos e largos, em X e em V. Os entalhes marcam as casas da aldeia: 15 na margem direita e 17 na margem esquerda. Na parte inferior de cada espaço, os entalhes registam o nº de ovelhas de cada casa num total de 216 ovelhas.
Origem/Historial: As talas existentes no museu provêem sobretudo dos dois momentos em que a aldeia de Rio de Onor foi estudada: anos de 1940 e inicio de 1950, por Jorge Dias; e trinta anos depois, por Joaquim Pais de Brito. São varas em geral de choupo, com entalhes à navalha, em intervalos iguais, correspondendo cada espaço à casa do vizinho, onde se inscrevem cargos resultantes do pagamamento a pastores, multas ou registo de votos. A tala é, numa superfície linear, a figuração de uma aldeia em que as casas se sucedem num círculo ordenado, com a indicação do rio que separa as duas margens.
Bibliografia
BRITO, Joaquim Pais de - Retrato de Aldeia com Espelho, Ensaio sobre Rio de Onor. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996
DIAS, Jorge - Rio de Onor, Comunitarismo Agro-Pastoril. Lisboa: Editorial Presença, 1981
ALVES, Francisco Manuel, 1910, "Vestígios do regimen agráriocomunal". Ilustração Transmontana. 3º ano, Porto, pp. 137-142
TENÓRIO, Nicolás - La aldea gallega. Vigo: Ediciones Xerais de Galícia, 1982 (1914)
KUCHENBUCH, Ludolf - "Les baguettes de taille ao MouyenÂge: un moyen de calcul sans écriture?". In Cequery, N. e Menant, F. e Weber, F. (dir), Écrire, compter, mesurer: vers une histoire des rationalités pratiques. Paris: Éditions Rue d'Ulm, 2006, pp.113-142