Tala

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: BM.023
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Alfaia agrícola
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 112 x Diâm. 2,2
  • Descrição: Tala com o formato de uma vara, ligeiramente curva, feita em madeira com casca. Numa das faces, e em todo o comprimento, apresenta vários entalhes: traços simples, finos e largos, em X e em V. Tala com entalhes a marcar a totalidade das casas do «concelho»: 12 na margem direita e 11 na margem esquerda.
  • Origem/Historial: As talas existentes no museu provêem sobretudo dos dois momentos em que a aldeia de Rio de Onor foi estudada: anos de 1940 e inicio de 1950, por Jorge Dias; e trinta anos depois, por Joaquim Pais de Brito. São varas em geral de choupo, com entalhes à navalha, em intervalos iguais, correspondendo cada espaço à casa do vizinho, onde se inscrevem cargos resultantes do pagamamento a pastores, multas ou registo de votos. A tala é, numa superfície linear, a figuração de uma aldeia em que as casas se sucedem num círculo ordenado, com a indicação do rio que separa as duas margens. A tala das eleições dos mordomos de 1978 revela uma marcação descuidada do número de casas representadas na margem direita e da marcação do rio que coincide sempre com o entalhe que delimita a ultima casa de uma margem e a primeira da outra, apesar de se tratar sempre de um entalhe que contorna o maior perímetro da tala. No ano de 1978 eram 12 os vizinhos da margem direita (e não 13, como pode parecer), e na margem esquerda são 11 os membros do conselho da aldeia. O erro referido não afecta o registo e a sua leitura, pois naquela margem direita os votos encontram-se distribuídos até à 7.ª casa.

Bibliografia

  • BRITO, Joaquim Pais de - Retrato de Aldeia com Espelho, Ensaio sobre Rio de Onor. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1996
  • DIAS, Jorge - Rio de Onor, Comunitarismo Agro-Pastoril. Lisboa: Editorial Presença, 1981
  • ALVES, Francisco Manuel, 1910, "Vestígios do regimen agráriocomunal". Ilustração Transmontana. 3º ano, Porto, pp. 137-142
  • TENÓRIO, Nicolás - La aldea gallega. Vigo: Ediciones Xerais de Galícia, 1982 (1914)
  • KUCHENBUCH, Ludolf - "Les baguettes de taille ao MouyenÂge: un moyen de calcul sans écriture?". In Cequery, N. e Menant, F. e Weber, F. (dir), Écrire, compter, mesurer: vers une histoire des rationalités pratiques. Paris: Éditions Rue d'Ulm, 2006, pp.113-142

Multimédia

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