Sida Karya Putih

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AU.530*
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Actividades lúdicas
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 19 x Larg. 15
  • Descrição: Máscara de madeira pintada (cor branca, sulcos em preto e boca em vermelho), facial, figurando expressivamente um rosto humano de rugas muito marcadas, olhos encovados e vazados em forma de vírgula deitada e boca aberta em esgar deixando à vista a dentadura, exageradamente forte. Tiras de crina com pele no lugar das sobrancelhas. Tiras de crina com pele no lugar das sobrancelhas.
  • Origem/Historial: Na Ficha de Arquivo de 1973 aparece a referência "É a máscara que vem dançar no fim de todas", o que de acordo com a bibliografia nos indica que é a personagem Sida Karya Putih, a última máscara a aparecer na performance da história de Sida Karya. Representa uma personagem forte e protectora, responsável por verificar se nenhum espírito maligno perturba a cerimónia. Simboliza pureza espiritual e o deus Siwa (Shiva). Quando entra no fim da performance, as crianças tendem a fugir fingindo-se assustadas para que o actor as persiga e ao trazê-las de volta, dá-lhes comida e moedas das oferendas. A expressão rude da máscara contradiz a sua moral e ensina que as aparências enganam. A história de Sida Karya passa-se no tempo da dinastia Gelgel (1550 - 1639) em Bali e conta que um brâmane veio de Java para testar a força espiritual do rei de Gelgel. Mascarou-se de pedinte e durante as festas no templo de Besakih dirigiu-se ao primeiro ministro, apresentando-se como familiar do rei. O ministro desprezou-o pela sua aparência. O brâmane foi para a zona de Denpasar, actualmente com o nome de Sida Karya e obteve um mantra mágico que causou a morte dos animais e infertilidade da terra. O rei de Gelgel foi ao templo de Besakih para meditar numa solução e ouviu uma voz que o aconselhou a procurar um brâmane em Denpasar, e que este seria seu irmão. O rei enviou o primeiro ministro que trouxe o brâmane. O rei relatou o problema ao brâmane que imediatamente anulou o mantra, o que fez com que o rei acreditasse que este era seu irmão e chamou-o de Sida Karya (que significa "capaz" e "cerimónia"). Ou seja, sem a benção final desta personagem, a cerimónia não será eficaz. As outras personagens deste teatro deverão usar uma máscara Dalem (para o rei), uma máscara Patih Keras (primeiro ministro), máscaras Penasar (para criados do primeiro ministro) e máscaras Bondres (para pessoas do povo, da aldeia). A voz que o rei ouve poderá vir de um actor com uma máscara Pedanda (sacerdote). Objecto que pertence a colecção recolhida por Victor Bandeira na Indonésia entre 1970 e 1972.

Bibliografia

  • SLATTUM, Judy; Paul Schraub – Balinese Masks – Spirits of an Ancient Drama, Tutttle, 2011
  • CAPELO, Francisco – Silence Speaks – Masks, Shadows and Puppets from Asia, river Books, 2015

Multimédia

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