Escultura
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AE.644
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Ritual
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Autor:
Autor desconhecido
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Datação: Século 20
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Descrição: Escultura em madeira, representando um homem erecto, de cartola na cabeça, machado na mão, sobre um plinto. A figura está toda pintada de preto, com exceção da base que está pintada de azul, e do machado que está pintado de branco.
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Origem/Historial: Poste funerário destinado a sinalizar a sepultura de um régulo Papel. O machado é símbolo de autoridade, por conseguinte identifica o estatuto elevado de quem alí foi sepultado.
Figura funerária conhecida na Guiné pela expressão genérica de "Forquilha de alma".
Em regra, as estatuetas do género são enterradas junto das palhotas onde habitualmente viviam os defuntos e no local onde estes são sepultados.
Tratando-se de régulo ou pessoa importante, a "forquilha de alma" reproduz as feições do falecido. Noutros casos, um simples toro, com a extremidade superior arredondada ou em forquilha, serve de poste funerário (forquilha de alma). A colocação destes postes ou forquilhas é precedida de ritual apropriado. A ausência da forquilha a sinalizar a sepultura, torna a alma vadia, segundo a crença local.
Prática igualmente comum a outros grupos culturais, como os Manjaco:
«Trata-se por exemplo, de marcas destinadas a assinalar os direitos do proprietário da terra (rei ou chefe de família) e dos seus legítimos herdeiros, e que são plantadas nas orlas do terreno, quando ele não é delimitado por obstáculos naturais (árvores de grande porte, rios e ribeiros). Uma cerimónia, de grande audiência, é celebrada por ocasião da posse definitiva da terra. Os símbolos são constituídos por estacas ou paus em forquilha trabalhados, com uma decoração geométrica ou antropomorfa, executados em amdeira rija,para poderem resistir à ação das térmitas. Dentre estas marcas de propriedade, quando se trata de um rei, pode ver-se, por vezes, uma estátua com uma cartola, implantada ao lado de outra que representa a sua primeira mulher, entronizada com ele.»
(EVO - Escultura africana em Portugal. Lisboa: IICT/ ME, 1985)
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Bibliografia
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de - Escultura africana em Portugal. Lisboa: JIU/MEU, 1985