Fragmento de talha com pentalfa
-
Museu: Museu Nacional de Arqueologia
-
Nº de Inventário: 17104
-
Super Categoria:
Arqueologia
-
Categoria: Cerâmica
-
Autor:
Autor desconhecido (-)
-
-
-
-
Dimensões (cm): Alt. 13,5 x Larg. 28,3 x Esp. 2,2 - 2,7
-
Descrição: Fragmento de talha de cerâmica coberta em ambas as faces de engobe. Na face exterior o engobe tem tonalidade acinzentada e, na face interior avermelhada devido à sujidade de terra. O fragmento corresponde a uma porção do bojo. Decoração feita por meio de incisão. Representa um símbolo de pentalfa colocado na parte superior do lado direito na perspectiva do espectador. A incisão foi feita com o barro ainda fresco.
Pasta bicolor, cinzenta no cerne e rosada nas extremidades. Contém muitos elementos não plásticos de grão grosso.
-
-
Origem/Historial: Este fragmento de talha foi recolhido em Faro por Estácio da Veiga aquando do levantamento arqueológico do Algarve por ele iniciado ainda em 1877. Foi por ele classificado como árabe. O fragmento, a julgar pela espessura da parede deve ter pertencido a uma talha de grandes dimensões.
Talhas serviam de recipientes para armazenar alimentos tanto liquidos como sólidos e constituíam equipamento básico de cozinhas. As suas paredes eram engobadas ou cobertas de esmalte na face exterior e frequentemente decoradas com motivos estampilhados. Neste caso, o único elemento decorativo que subsiste é um pentalfa inciso na superfície exterior tendo aqui nitidamente carácter propiciatório. O simbolo de pentalfa ou seja de estrela de cinco pontas estilizada é conhecido desde a Antiguidade Grega em várias culturas que lhe atribuem todas poderes mágicos. Entre os Árabes o pentalfa é conhecido como "khatum sulayman" ou "anel de Salomão" e é considerado como símbolo protector das pessoas afastando o mau olhado. Figura, por isso, em vários objectos de uso quotidiano como pratos, panelas, amuletos, tecidos, estelas funerárias etc, às vezes, acompanhado de versículos do Alcorão. Encontra-se ainda em moedas islâmicas de diversas proveniências. Em Portugal, perpetua-se na tradição popular como "sino-saimão" que lhe atribui poderes sobrenaturais contra o mal, feitiçaria etc.
Recentemente nas escavações em Silves, na zona de alcáçova, nos níveis almóadas foi exumada uma placa apotropaica incompleta, que ostenta também decoração em forma de pentalfa.
Estudo da peça: Eva - Maria von Kemnitz
-
Incorporação: O espólio do Museu do Algarve foi integrado no MNA.
-
Bibliografia
- CHEVALIER, J.; GHEERBRANDT, A. - Dictionnaire des Symboles. Paris: Éditions Seghers, 1973
- VARELA GOMES, Rosa; VARELA GOMES, Mário - "Placas Apotropaicas do Castelo de Silves", Estudos Orientais, vol. VI. Lisboa: Instituto Oriental UN, 1997
- VASCONCELOS, José Leite de - "Signum Salomonis (Estudo de Etnografia Comparativa)", in O Arqueólogo Português, vol. XXIII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1918