Adereço de Peito
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Museu: Museu Nacional Soares dos Reis
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Nº de Inventário: 180 Our MNSR
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Ourivesaria
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Autor:
Autor desconhecido (Ourives)
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Datação: 1880
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Técnica: Fundição; Cinzelagem; Esmaltagem.
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Dimensões (cm): Alt. 22,7 x Larg. 12,2
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Descrição: Adorno de peito, em prata dourada, constituído por dois elementos articulados. Corpo superior com armação triangular totalmente preenchida com filigrana de rodilhões, encimada por pequena cruz latina. Ao centro, uma moldura com vidro ostenta a imagem da Virgem Maria e a ornamentação deste corpo completa-se com a aplicação de cinco rosetas pontuadas por turquesas. De cada um dos lados suspendem-se dois pingentes.
Corpo inferior, pendente, com armação de formato circular igualmente preenchida com filigrana de rodilhões a que se sobrepôem seis medalhões ovais esmaltados a negro com os simbolos da paixão de Cristo a ouro, em alternância com seis rosetas de pétalas filigranadas , igualmemte pontuadas por turquesas. Estes, circundam uma moldura central com vidro onde, sob um fundo de folheta esverdeada, se destaca uma cena do calvário com a representação de Cristo crucificado ladeado pelas figuras da Virgem Maria e Maria Madalena, em vulto.
Deste elemento pende uma borla campanulada com uma franja de fios espiralados.
Este tipo de peças, geralmente de grandes dimensões surge desde o século XX, associado aos múltiplos adornos de peito usados pelas mulheres da região portuguesa do Minho, em desfiles etnográficos.
Apresenta várias denominações populares ligadas à forma ou a semelhanças de função: custódia, pela afinidade do edículo central com o objeto litúrgico assim designado para a exposição do Santissimo; relicário, pela afinidade com as peças onde se guardam relíquias; calvário pela representação central desta cena da paixão de Cristo; brasileira, usada na zona de Castelo do Neiva; e lábia, em localidades do concelho de Viana do Castelo, pela semelhança encontrada com os lábios humanos, no desenho do elemento superior de alguns exemplares.
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Origem/Historial: Aquisição em 7 de Agosto de 1954 à firma José Rosas & Cia., realizada através do Fundo João Chagas. Este fundo resultou de uma doação ao Estado feita em 1941 por Maria Teresa Chagas, em memória de seu marido, João Pinheiro Chagas. Consistiu no rendimento líquido de um prédio no Estoril que passaria a ser destinado à aquisição de obras de arte e melhoramentos em benefício do Museu Nacional de Soares dos Reis.
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Incorporação: Aquisição feita através do Fundo João Chagas.
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Centro de Fabrico: Porto, Potugal
Bibliografia
- O ouro tradicional de Viana do Castelo : da Pré-História à actualidade = Traditional gold of Viana do Castelo : from Prehistory to actuality / comis. Alberto A. Alberto ; coord. Luís Raposo, Alberto A. Alberto ; trad. Alberto A. Alberto ; apresent. Defensor Moura, Luís Raposo ; org. Museu Nacional de Arqueologia, Câmara Municipal de Viana do Castelo. - Viana do Castelo : Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2007
- COSTA, Amadeu; FREITAS, Manuel Rodrigues de, Ouro Popular Português.Porto: Lello & Irmão-Editores, 1992
- MOTA, Rosa Maria dos Santos - O Uso do Ouro nas Festas da Senhora da Agonia, em Viana do Castelo. Porto: UCE/CIONP/CITAR, 2011
- PEIXOTO, Rocha - PEIXOTO, Rocha – As Filigranas. Portugália, Vol. II, Fasc. 1-4, 1905-1908
- MOTA, Rosa Maria dos Santos (2014) O Uso do Ouro Popular no Norte de Portugal no Século XX. Vol. I, pp. 233-235. Disponível em http://hdl.handle.net/10400.14/16707 [Consult. 26 de Outubro de 2017)
- ABREU, Alberto de Antunes de - Ouro a que a mulher de viana deu beleza. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2006