Técnica: Fundido em molde de cêra perdida ; martelado
Dimensões (cm): Comp. 0,9 x Diâm. 0,4 x Esp. 0,1
Descrição: Colar composto por noventa e quatro argolas e três pendentes. As argolas são de arame de secção côncava-convexa (a maior parte) e de secção circular. Os pendentes são obtidos a partir de um único segmento de arame de secção circular dobrado ao meio de modo a formar uma dupla haste central (posteriormente enrolada em argola) que se bifurca, apresentando as extremidades enroladas em espiral, achatadas e viradas para o centro. Actualmente o colar encontra-se montado em fio metálico, intercalando-se os três pendentes com as argolas, na parte central. Supõe-se que dele fariam parte as restantes argolas, pendentes e conta que se encontram no Museu de Torres Vedras.
Origem/Historial: *Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei nº 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; nº 19/2006; 18/07/2006*
De acordo com a notícia do achado este colar pertencia a um importante tesouro descoberto na região de Torres Vedras, do qual faziam parte, para além de outras argolas e pendentes, uma série de discos ou botões, brincos, braceletes, uma conta bicónica e fragmentos de lingotes de ouro, peças essas que, ou se dispersaram por mãos de particulares ou vieram a incorporar os acervos do Museu Nacional de Arqueologia (n.ºs de inventário Au 194 a 206, 593 e 854).
Trata-se de mais um achado casual, cujo contexto arqueológico não foi estudado, ainda que a presença no local de vestígios de carvões, tenha levado a colocar a hipótese de ali ter existido uma oficina de ourives.
Incorporação: Dr. Manuel Heleno
Bibliografia
HARTMANN, A. - Prahistorische Golfund aus Europa II, Spektranalalysche Untersuchunen und deren Auswertung. Berlin: Ger. Man Verlag., 1982
HELENO, Manuel - Jóias Pré-Romanas. Lisboa: "Ethnos", I.P.A.H.E., Vol. I, 1935
PAÇO, A.; VAULTIER, M. - Braceletes de Ouro de Atouguia da Baleia (Peniche),"Estremadura, Boletim da Junta de Provincia. Lisboa: s.l., 1946
PARREIRA, Rui; R. & SOARES, A.M. - Zu einigen bronzezeitlichen Hohensiedlungen in Südportugal. Heidelberg: "Madrider Mitteilungen", 1980
PINGEL, V. - Die Vorgeschichtlichen Golfund ..., Eine Archaologische Untersuchung zur Auswertung der Spektral. Berlim / New York: Walter de Gruyter, 1992
TESOUROS da Arqueologia Portuguesa. Lisboa: Museu Nacional de Arqueologia, 1980
CORREIA, Vergílio Hipólito (2013) - A ourivesaria arcaica no ocidente peninsular. Estado da questão, problemáticas arqueológicas e perspetivas de desenvolvimento do campo de estudo. O Arqueólogo Português. S. V, vol. 3, pp.15-114
Images de L'Antiquité: Les ors protohistoriques du Portugal. Tradition et innovations. In l' Archéoloque, nº 149 (Mars,avril, mai), Belgica, 2019