Leque
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 1221
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Traje
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1890/1930
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Dimensões (cm): Alt. 42 x Larg. 68
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Descrição: Leque brisé com 20 varetas (18 +2 guardas), em madeira (cor preta) esculpida e vazada definindo motivos geometricos e vegetalistas. Varetas encimadas por penas de avestruz pretas. União das varetas na extremidade superior por fitilho de seda preta e na inferior por rebite metálico, argola e arremate circular em madrepérola. Da argola pende fio de seda enrrolado com borla e fraja da mesma cor.
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Origem/Historial: O Museu de Lamego possui uma pequena coleção de leques datados de finais do século XIX e inícios do XX, resultante de diversas doações que atestam o papel desempenhado por este adereço, sinónimo de elegância e de afirmação social, durante a Belle Époque, como aliás já o havia sido antes, nas cortes europeias do século XVIII, numa altura em que os leques conheceram o seu período áureo, como complemento indispensável do vestuário de uma dama.
De entre os exemplares da coleção nenhum outro rivaliza em dimensão, exuberância e aparato com o leque em evidência: de “grand-vol”, com folha formada por 18 penas de avestruz pretas, as varetas e guardas em madeira recortada e incisa com motivos geométricos e festões e argola de onde pendem um cordão e borla de seda. A total ausência de decoração é compensada pela voluptuosidade conferida pelas plumas de avestruz, uma novidade introduzida no contexto de um clima de euforia social e cultural vivida durante a Belle Époque, “em correspondência com o aparato das toilettes femininas usadas nas as solenidades, os bailes e os espectáculos nocturnos de teatro e ópera” (TEIXEIRA, 2000, p. 346), como assinala Madalena Brás Teixeira a propósito de um leque que pertenceu à 3.ª Duquesa de Palmela, hoje da coleção do Museu Nacional do Traje, semelhante ao presente exemplar, com exceção do material utilizado nas varetas e guarda, que são em tartaruga, no leque do Museu do Traje.
Tão profundamente ligados ainda hoje à cultura de certos países europeus, sobretudo, Espanha e Portugal, os primeiros leques portáteis e articulados, segundo consta, inspirados nas asas dos morcegos, surgiram, no entanto, na China, no século VII, tendo sido introduzidos na Europa pelas mãos dos portugueses, nos finais do XV, na sequência do estabelecimento de rotas comerciais com o Oriente.
Da coleção de D. Maria Isabel Raposo Osório, o uso do leque reflete de modo expressivo a influência oriental na cultura, hábitos e costumes europeus.
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Incorporação: Oferta de D. Maria Isabel Raposo Osório (procº 9.1)
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Bibliografia
- TEIXEIRA, Madalena Brás, "Portugal 1900" (catálogo de exposição), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2000