Descrição: Biface micoquense, fabricado sobre uma grande lasca extraída de um núcleo de quartzito. Trata-se de uma peça esguia, com um comprimento que é cerca do triplo da largura, de dois lados rectílineos ou até ligeiramente côncavos na sua parte distal, destacando melhor a ponta, com retoque fino, feito com percutor brando (osso ou madeira), em quase toda a periferia, sendo a própria base talhada de modo a poder ser usada, acentuando assim o carácter polivalente da peça. Atribui-se esta peça a uma fase final do Acheulense (Paleolítico Inferior) e calcula-se que date de há cerca de cem mil anos, numa altura em que o o nível do mar estaria mais elevado do que hoje e o estuário do tejo se estendia até Alpiarça, penetrando as águas profundamente em fundos de vales afluentes do Tejo ( Luis Raposo).
Origem/Historial: O sítio paleolítico de Milharós localiza-se na zona oriental do Vale do Forno na região de Alpiarça. O sítio foi escavado por Luís Raposo e colaboradores, nos anos 80, tendo sido publicado um artigo sobre os resultados dos trabalhos efectuados. Entre os materiais recolhidos "in situ" (e outros provenientes de recolhas de superfície) destacam-se os bifaces e os machados de mão (hachereaux), alguns utensílios sobre lasca (raspadores, denticulados e entalhes) e raspadores nucleiformes sobre seixo, núcleos e material de debitagem.
Incorporação: Doado por Júlio Roque Carreira
Bibliografia
CATÁLOGO da Exposição: Portugal das Origens à Época romana. Lisboa: IPM, 1989
RAPOSO, Luís; CARREIRA, J.R., SALVADOR, M. - "A estação Acheulense final de Milharós, Vale do Forno, Alpiarça" in Actas da I Reunião do Quaternário Ibérico, Gr. de Trabalho para o Estudo do Quaternário, II, pp. 41-60. Lisboa: 1985