Sítula
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Museu: Museu Nacional de Arqueologia
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Nº de Inventário: E 174
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Super Categoria:
Arqueologia
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Categoria: Instrumentos e utensílios
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 7 a.C/4 a.C
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Técnica: Fundição
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Dimensões (cm): Comp. 10,6 x Diâm. 3,8
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Descrição: Sítula de forma ovóide com decoração em relevo; tem dois anéis de suspensão, opostos, fixados no bordo de lábio boleado. Este tipo de sítulas era utilizado no culto de diversas divindades, nomeadamente Osíris, e servia para conter o leite que era vertido durante a cerimónia. A sugestiva forma ovóide da sítula evoca um seio de mulher, precisamente o seio de Ísis, de onde sai o leite vivificante que fez crescer Hórus criança e que também pode dar a vida eterna a Osíris ou aos defuntos osirificados. A sítula termina na base com a forma de mamilo, do qual parte a flor de lótus, tambem ele um símbolo de vida, que vai abrindo até ao diâmetro máximo do objecto. Segue-se uma linha de relevo onde assentam triângulos e depois uma outra linha que serve de base às cinco figuras divinas que são o essencial da decoração. Nem todas as figuras são reconhecíveis, não tanto pelo desgaste das figuras mas porque o trabalho de gravação não atingiu a minudência que se observa noutras sítulas. Pode-se, no entanto, identificar o deus Min, virado para a direita, com a sua típica iconografia de braço erguido sob o látego e falo erecto, tendo à sua frente aquilo que parece ser um altar com um ramo encostado (um ramo de lótus?; mas a espécie vegetal mínica era a alface espigada, poderoso afrodisíaco que vocacionava o copulador para a erecção permanente). Seguindo para a direita, vê-se uma figura feminina ostentando a coroa do Baixo Egipto, pelo que não será descabido identificá-la como a deusa Neit, a qual exibe um longo ceptro (talvez um "uadj" como era habitual nas divindades femininas). Vem depois outra figura feminina usando sobre a cabeça um indistinto signo que não permite reconhecer a deusa: poderia ser Ísis ou Néftis. O mesmo acontece em relação à imagem que se segue, também ela com um signo tão inexpressivo que torna a identificação da deusa impossível. Quanto à quinta figura a aparecer na sítula, poderá ser Hathor, se, como parece, ela exibir uma cabeça de vaca rematada por algo que sugere uma cornamenta liriforme. Finalmente, e antes de regressarmos ao poderoso Min, podemos observar um símbolo colocado sobre uma estaca, talvez o signo da deusa Neit, duas setas cruzadas sobre um escudo, que era também o símbolo da V "sepat" do Baixo Egipto, com a capital em Sais. Antes de alcançarmos a faixa não decorada que antecede o lábio podemos ver um último registo constituído por um friso de três barcas solares, todas com remo axial e cabina ao centro. (Cat. "Antiguidades Egípcias")
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Origem/Historial: Proveniente do Palácio Nacional da Ajuda (Cat. "Antiguidades Egípcias")
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Incorporação: Palácio Nacional da Ajuda
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Bibliografia
- ARAÚJO, Luís Manuel de - Antiguidades Egípcias, vol. I. Lisboa: MNA, 1993
- HART, George - A Dictionary of Egyptian Gods and Goddesses. London, New York: Routledge & Kegan Paul, 1986
- SCHNEIDER, Hans D. - Shabtis. an Introduction to the History of Ancient Egyptian Funerary Statuettes with a Catalogue of the Collection of Shabtis in the National Museum of Antiquities at Leiden, I-III. Leiden: Rijkfmuseum van Oudheden te Leiden, 1987
- SEIPEL, Wilfried - Ägypten: Götter und die Kunst, 4000 Jahre Jenseitsglaube, Katalog zur Ausstellug, Schlossmuseum Linz. OO. Linz: Landsmuseum, 1989
Exposições
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Antiguidades Egípcias
- Museu Nacional de Arqueologia
- Exposição Física