Capela de Nossa Senhora da Penha de França
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 124
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Escultura
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1721a.C
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Técnica: Madeira dourada - talha
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Dimensões (cm): Comp. 340 x Alt. 230 x Larg. 220
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Descrição: Capela em talha dourada e policromada. Esta capela segue a nova definição estilística, declaradamente barroca, que surge em Portugal no último quartel do século XVII, a qual apresenta características perfeitamente diferenciáveis, tanto do que anteriormente se fazia como do que mais se fazia no resto da Europa e que ficou conhecida como "estilo nacional".
Ao centro abre-se uma tribuna, com o fundo pintado, onde uma peanha de grandes dimensões, capeada por volumosas folhas de acanto recortadas, por entre as quais emerge uma cabeça alada. Sobre esta, a imagem de Nossa Senhora e o Menino, de madeira estofada e policromada, que flutua sobre um novelo de nuvens por entre as quais despontam três meninos. A banqueta apresenta um painel rectangular, preenchido com enrolamentos de acanto e aves, que debicam as sementes e flores.
Este rasgo central, delineado por uma renda, é ladeado por pilastras decoradas com ramos de folhas e flores voltadas para baixo, dispostas simetricamente. Nos flancos erguem-se dois pares de colunas espiraladas, pseudo-salomónicas, com cinco espiras, e capitel coríntio, como era habitual, enlaçadas com pâmpanos, cachos de uvas e pássaros que os debicam, identificados como fenices, ou seja, símbolos da Ressurreição ou do triunfo da vida eterna sobre a morte. As colunas são ladeadas por uma pilastra de cada lado, ornadas com volumosas folhas de acanto enroladas, dispostas de forma serpentiforme. Estas e as colunas assentam em mísulas, a mais interior guarnecida com enrolamentos de acanto que envolvem uma cabeça alada, a do meio com acantos, sobre os quais se apoia uma ave que está a bicar a asa, e a terceira mísula correspondente à pilastra, apresenta os mesmo motivos naturalistas e, no centro, um pelicano, cujo bico segura duas folhas laterais. As colunas e pilastra são unidas na parte superior por um friso decorado com florões, encimado por uma cornija, que se prolonga por toda a capela, com folhas dispostas simetricamente.
No remate, duas arquivoltas torsas prolongam as colunas, envolvidas por pâmpanos e uvas, são divididas por quatro peças dispostas de forma radial, de formato curvilíneo e decoradas com acanto enrolados, cabeças aladas e aves. Este conjunto de elementos, com destaque para as colunas e os arcos, deram ao retábulo português um sentido mais dinâmico e efeito de unidade, produzindo a primeira manifestação inteiramente barroca na história da arte portuguesa.
As paredes laterais subdividem-se em dois registos, ambos divididos verticalmente por pilastras, que enquadram painéis pintados. As pilastras têm todas o fuste enobrecido com enrolamentos de acanto serpenteados, com grande volumetria, flores e pássaros, e capitel coríntio; no friso perfilam-se enrolamentos de acanto que enquadram cabecinhas de anjo; as mísulas das pilastras superiores são ornadas com os mesmos acantos, pássaros e cabeças aladas, motivos que se reflectem nos painéis que as subdividem; as molduras das pinturas são formadas por folhas, cuja extremidade se enrola simetricamente. As pinturas do registo inferior têm vasos de flores, enquanto nos painéis superiores figuram santos e santas.
Uma cornija que percorre toda a capela, separa as paredes laterais do tecto em caixotões, composto por vinte e um painéis que relatam cenas da Bíblia, da vida da Virgem e de Cristo, tendo o do centro um brasão; são subdivididos por uma fita serpentiforme e nos seu cruzamentos uma decoração com florões em relevo, tendo as molduras dos painéis pequenas flores.
In Silva, José Sidónio Meneses da, "O Mosteiro das Chagas de Lamego: Vivências, espaços e espólio litúrgico 1588 - 1906, volume I, Porto, 1998, pág: 91, 92, 93. (Dissertação de Mestrado em História da Arte em Portugal na Faculdade de Letras da Universidade do Porto).
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Origem/Historial: Esta capela situava-se na ala setentrional do claustro, entre a de Nossa Senhora da Lapa e do Desterro, encontrando-se hoje no Museu de Lamego: a talha, os quadros e a imagem. Como a lápide existente ao lado nos confirma, esta capela foi mandada fazer pela abadessa D. Filipa Maria de Assunção Baptista, no ano de 1721: ESTA. CAPELA. DA. SA. ª DE PENHA. DE FRC. M. / ANDOV. FAZER. A D. FELIPA M ª DASVNSA / Õ. BAPTISTA. SENDO ABB ª. NESTE COVEN / TO. DAS CHAGAS. HOJE. 21 DEZBR. º DE 1721.
Este espaço de oração, em talha dourada e policromada, foi avaliado em 1897, por 100$000 réis, e a imagem por 5$000 e terá sido na opinião de João Amaral pintada e dourada por uma freira do Mosteiro, o que faz todo o sentido, sobretudo no que diz respeito à pintura que revela certa ingenuidade. Esta capela segue a nova definição estilística, declaradamente barroca, que surge em Portugal no último quartel do século XVII, a qual apresenta características perfeitamente diferenciáveis, tanto do que anteriormente se fazia como do que mais se fazia no resto da Europa e que ficou conhecida como "estilo nacional".
in: Silva, José Sidónio Meneses da, "O Mosteiro das Chagas de Lamego: Vivências, espaços e espólio litúrgico 1588 - 1906", volume I, Porto, 1998, pág: 91.
A instâncias do primeiro diretor do Museu de Lamego, João Amaral, o conjunto das capelas foi cedido ao Museu, a título de empréstimo, por proposta do Presidente do Município, data de 22 de Janeiro de 1928. Todavia, o levantamento das capelas no lugar que hoje ocupam, só se terá realizado entre 1931 e 1936 período a que corresponde a 1.ª fase das obras de beneficiação e melhoramento do edifício, levadas a efeito pela DGEMN.
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Incorporação: (conventos extintos) Convento das Chagas de Lamego
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Bibliografia
- LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
- QUEIRÓS, Carla Sofia Ferreira - Os Retábulos da Cidade de Lamego e o seu Contributo para a Formação de uma Escola Regional. 1680-1780 (Dissertaçação de Mestrado em História da Arte em Portugal apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto). Lamego: Câmara Municipal de Lamego, 2002
- SILVA, José Sidónio Meneses da - "O Mosteiro das Chagas de Lamego. Vivências, espaços e espólio litúrgico. 1588-1906" Dissertação de Mestrado de História da Arte em Portugal apresentada à F.L.U.P.. Porto,: texto policopiado, 1998