Descrição: Grande lâmina de sílex de secção trapezóidal e retoque marginal abrupto na zona distal.
Origem/Historial: Aljezur
“A história dos sepulcros colectivos de Aljezur é uma história antiga, do último quartel do séc. XIX. Começa em 1881, quando, em Novembro, José da Costa Serrão comunica a Estácio da Veiga ter recolhido uma grande quantidade de ossos humanos e artefactos diversos, numas covas junto à Igreja matriz da Senhora de Alva (Veiga, 1886, p.21).
(...)
Basicamente, a descrição e os comentários do pioneiro algarvio, incluídos no primeiro volume das Antiguidades Monumentais do Algarve, reconhecem:
1. a extraordinária importância do sítio
2. a natureza e os conteúdos do sítio “uma construção subterrânea (…) com muitos ossos humanos, numerosos instrumentos de pedra e outros objectos”, p.146
3. a inexistência de uma estrutura tumular visível acondicionante das destruições sofridas pela necrópole
4. a típica situação de uma necrópole colectiva, com ritos de inumação primária, com os Corpos sentados
5. pelos novos trabalhos de Estácio da Veiga e Nunes da Glória, identifica-se um número mínimo de 30 indivíduos (p.149)
6. os ritos funerários foram então impossíveis de recuperar, mas resta-nos talvez vestígios de um depósito de artefactos de pedra polida similar ao identificado em STAN-2 e Gorginos 3 (Gonçalves 2001)(...)
3. as necrópoles colectivas de Aljezur devem corresponder a um espaço funerário escavado no solo, mas não necessáriamnete assumindo o aspecto de hipogeus, e muito menos de grutas artificiais, como as que conhecemos nas penínsulas de Lisboa e Setúbal;
4. o estudo dos materiais arqueológicos associados às placas, indica uma utilização muito homogénea - cultural e cronológicamente, localizável algures na primeira metade do 3º milénio a.n.e.” (Gonçalves, OAP, v.22, p.163-318).