Lápide comemorativa da edificação do claustro do Convento de São Francisco de Évora, 1376

  • Museu: Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
  • Nº de Inventário: ME 1749
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1409/1410
  • Dimensões (cm): Alt. 107 x Larg. 73,5 x Esp. 5
  • Descrição: Lápide rectângular, com um brasão no centro, em relevo, com as armas dos Morais. A legenda aberta em caracteres góticos desenvolve-se na orla da lápide.
  • Origem/Historial: A lápide é referenciada pela primeira vez por George Cardoso (1652-66) e Frei Jerónimo de Belém (1750) que publicam versões abreviadas do texto da lápide. Segundo o testemunho de um manuscrito genealógico do século XVIII a lápide estava colocada "na claustra de São Francisco, na parede da parte esquerda, entrando pela Portaria em a qual se achão esculpidas, em hum escudo as armas dos Moraes (...); as ditas armas tem huma comenda de Santiago no meio" (Espanca, 1964: 57). Após o processo demolição, a lápide é incorporada na colecção de arqueologia da Biblioteca Pública de Évora e o conservador António Francisco Barata (1903: 32), ao menciona-la no inventário, confirma a proveniência do claustro do Convento de São Francisco. Segundo se depreende do texto, as obras do claustro de São Francisco ter-se-iam iniciado em 1376, a expensas de D. Fernando Afonso de Morais, comendador de Montemor, segundo o risco do monge arquitecto João de Alcobaça e vedor das obras o guardião Afonso de Montemor. Para a memória genealógica já referida, além da memória da edificação, a lápide seria um documento do compromisso entre o comendador de Montemor e os frades fransciscanos: "...e a roda tem em letra gotica a Inscrição seguinte: D. Fernando Afonso de Moraes, Comendador de Montemor, mandou fazer esta crasta, era de 1419, que foy do nascimento do senhor de 1376; e os religiosos deste convento de obrigarão por isso a lhe dizer cada anno por sua alma hum anel de Missas" (Espanca, 1964: 57) Segundo a análise paleográfica de Mário Barroca (2000: 1855) a lápide foi realizada por volta de 1410, com a utilização da escrita do texto em alfabeto Gótico Minúsculo Anguloso, só adoptada pela epigrafia portuguesa a partir dos finais da primeira década do século XV, podendo se estabelecer um longo prazo de edificação iniciado em 1376, interrompida ou pelo menos prejudicada pela crises de fome mencionadas na lápide.
  • Incorporação: Biblioteca Pública de Évora

Bibliografia

  • Armorial Lusitano: Geneologia e Heráldica. Lisboa: 1961
  • BARATA, António Francisco - Catalogo do Museu Archeologico da Cidade de Evora. Lisboa: Imprensa Nacional, 1903
  • BARROCA, Mário Jorge - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), Vol. II, Tomo II, Corpus Epigráfico Medieval Português. Porto: Fundação Calouste Gulbenkian e F. C. T., 2000
  • ESPANCA, Túlio - "Curiosidades de Évora (2ª série) " Cadernos de História e Arte Eborense, XXIII. Évora: Livraria Nazareth, 1964
  • ESPANCA, Túlio - Inventário Artístico de Portugal, VII, Concelho de Évora, vol. I. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Art, 1966
  • SIMÕES, Augusto Filipe - Relatório acerca da renovação do Museu Cenáculo. Évora: Typographia da Folha do Sul, 1869

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