Descrição: Terrina de forma octogonal, com tampa, alta e assente em peanha. Decorada a azul sobre fundo de esmalte branco, tanto no interior como no exterior. A decoração repete-se nas faces da tampa e no bojo. Dois plátanos, ladeiam um edifício tipo palácio cujos elementos mais significativos são a entrada em arco, uma torre de um lado e uma cúpula, que encima a outra parte, suspensa por colunas, do outro. Nota-se a existência de um pátio interior donde sai uma palmeira. Bordo superior esponjado a azul, bordo inferior sem pintura. A tampa tem um orifício para a colher, a pega e as asas são em forma de voluta enrolada, pintadas a azul. Segundo José Queiroz este género de louça sem valor artístico representa a transição da pintura manual para a pintura de estampilha.
Origem/Historial: A Fábrica de Miragaia, fundada em 1775 por João Rocha, alcançou uma grande projecção durante o período liberal, quando Francisco da Rocha Soares filho associa várias outras empresas cerâmicas abrindo agências de comércio em Lisboa, Setúbal, Funchal e Luanda, entre 1839-1844 (Soeiro, Lacerda e Oliveira, 2001: 78-80). A marca da peça (Queirós, 1940: II, 82) com os mesmos ramos de loureiro utilizadas na Fábrica de Santo António do Vale da Piedade, deve corresponder a este período (Queirós, 1940: II, 106). Em 1986, D. Antónia Pires de Lima da Fonseca legou, ao Museu de Évora, duas travessas e cinco pratos da Fábrica de Miragaia, do Porto, inventariadas com os números ME 206 e ME 3065/1-6. Na colecção do Museu de Évora já existiriam uma terrina com travessa, duas travessas menores e um prato raso, de idêntica produção, inventariados com os números ME 69/1-2, ME 72, ME 199 e ME 207, de que se desconhece a proveniência.