Descrição: De acordo com a sua prelatura, D. Fernando Martins está retratado com vestes e insígnias pontificais - alva, amito e casula -, coroado com mitra recortada, acompanhado lateralmente pelo báculo onde se enrola o panisellus. As mãos repousam sobre o tronco, escalonadamente: a mão esquerda sobre o peito e a mão direita, com anel, um pouco mais abaixo. A cabeça repousa sobre duas almofadas lisas. A solenidade atemporal impressa na máscara de feiçõe... Ver maiss ainda estereotipadas contrasta, por outro lado com o esforço geral de individualização do jacente. O trabalho dos panejamentos, sobretudo na marcação do drapeado lateral, o requinte do lavor dos cabelos e dos ornatos do amito e da mitra revelam um excelente domínio da matéria pétrea condizentes com muito decoro ao ideal da representação dos mais destacados membros terrenos da cidade de Deus.
Origem/Historial: A figura episcopal esculpida em meio vulto sobre a tampa rectangular de um sarcófago é um dos mais antigos exemplares que subsistem em Portugal. Representa D. Fernando Martins, que ocupou a cátedra do bispado de Évora entre 1299 e 1311 e a quem se deve a sagração da sede catedralícia em 1308. D. Fernando foi dignidade letrada entre os seus pares, sabendo-se pelou testamento (31/10/1305) que possuía uma biblioteca de teologia e dire... Ver maisito legada piedosamente ao cabido para honra da gloria de Deus, da Santíssima Trindade e da Virgem Maria. O túmulo - de caixa rectangular enquadrada originalmente em arcosólio aberto no paramento mural, de acordo com as tipologias correntes na arquitectura funerária portuguesa da primeira metade do século XIV- ocupava o lado do Evangelho da capela-mor, isto é, o lado esquerdo da abside primitiva, a par de outros sarcófagos de prelados seus antecessores. A capela-mor catedralícia funcionou, assim, como espaço de tumulação reservado aos membros mais importantes da hierarquia eclesiástica, tal como acontecia noutras catedrais portuguesas desde o século XIII, nomeadamente na Sé de Coimbra e na Sé do Arcebispado de Braga. Esculpido em mármore, o jacente afasta-se já dos seus congéneres anteriores, trabalhados em granito ou calcário duro, inserindo-se num processo caracterizado pela utilização da pedra mármore na escultura de Évora.