Técnica: Ferro forjado, dourado e inciso; latão martelado, recortado e passado à fieira; bordado a ouro.
Dimensões (cm): Comp. 310 x Alt. 18 x Larg. 15,5 (freio)
Descrição: Cabeçada simples constituída por faceiras e testeira com antolhos de recorte triangular, em couro revestido de veludo roxo e malha de seda carmesim com bordado a fio de ouro. O veludo foi aplicado sobre uma fina tira de cabedal que corresponde à face interna das faceiras e dos antolhos, cobrindo integralmente a correia da cachaceira, a qual sustenta uma outra tira carmesim bordada a ouro com losangos justapostos, em tudo idêntica à testeira. Amplos motivos fitomórficos (folhas, flores e frutos) bordados a ponto lançado decoram o veludo, muito gasto e picado.
A face externa das faceiras é forrada a rede de seda carmesim e ouro, desenhando grandes losangos intercalados com outros mais pequenos, em conjuntos de quatro.
Os antolhos são franjados e, no anverso, são ornamentados com um triângulo isósceles bordado a ouro, contornado por tira carmesim com espinhado de ouro e, por último, uma tira mais estreita com aspas de ouro imbricadas formando friso contínuo. As duas tiras que compõem a testeira são unidas no topo por um cordão entrançado de seda carmesim e ouro, dobrado e rematado por borla alongada com estrangulamento central, da qual pendem quatro finos cordões franjados, em tudo idênticos ao anterior.
Freio de argola, tipo árabe, para cavalaria. O freio, em ferro forjado, possui barbela circular articulada (115 mm de diâmetro) para introdução na boca do cavalo, ligada às cãimbas curtas e arqueadas - ditas em "G" - por meio de duas correntes oblíquas. Estas, fluem de uma pequena chapa recortada e transfurada, dobrada sobre a barbela. A extremidade inferior das cãimbas é lanceolada e atravessada pelos rebites cónicos dos tornéis das rédeas.
A ligação do freio às rédeas e à cabeçada faz-se por meio de quatro pequenas chapas duplas em forma de lança, decoradas com motivos fitomórficos incisos, fixas por prego. O freio é dourado nas cãimbas, argolas e correntes.
As rédeas, bastante longas, são formadas por correia de cabedal forrada a seda carmesim, onde se repetem os elementos decorativos da cabeçada. Estão unidas por passador bojudo e móvel, ornamentado com ziguezagues de ouro e terminam em pequenas borlas periformes, com cordão carmesim entrançados e franjados.
Origem/Historial: Esta cabeçada faza parte de um conjunto de arreios oferecidos em 1878 ao rei D. Luís I pelo Embaixador Bachá Sib Benhima, em nome do Sultão de Marrocos, Muley Hassam, os quais ajaezavam magníficos cavalos árabes.
Cf. também nº invº A 166.
Incorporação: Administração da extinta Casa Real. Fundo Antigo do Museu.
Bibliografia
SILVA, Maria Madalena de Cagigal e - Catálogo da Exposição, Arte Oriental - Arreios e Atavios. Lisboa: MNC, 1981