Cabeçada do Arreio de Montada de cavalaria do Infante D. Afonso Henriques no Torneio do Fio Verde

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 1866
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Fábrica de Equipamentos e Arreios, Lisboa (?). (Fabricante)
  • Datação: 1870/1879
  • Técnica: Prata fundida em molde, soldada, vazada, levantada, recortada e cinzelada.
  • Dimensões (cm): Comp. 57 x Alt. 22 x Larg. c. 21
  • Descrição: Cabeçada de couro verde pespontado, com guarnições em prata branca. A focinheira é composta por uma correia de couro recortada e mais larga ao centro, onde foram cravadas três aplicações metálicas; destas, a maior forma uma composição assimétricas de volutas, motivos concheados e florais, separados entre si por reservas vazadas. As placas laterais, ovaladas, encerram motivos fitomórficos e apresentam, soldada à orla inferior, uma pequena argola da qual pende uma estrela de seis pontas. Subsiste apenas o pendente do lado esquerdo. A focinheira possui ainda uma fivela e duas passadeiras de prata (uma elíptica e a outra triangular), todas elas decoradas com motivos fitomórficos relevados. No frontal, também em couro recortado e pespontado, a aplicação repete os contornos do suporte, contendo aletas e folhagem gorda. O frontal liga-se à cabeçada por meio de correntes de prata de dois tipos distintos: a central é formada por pequenos aros e as laterais por elos rectangulares achatados, interligados por rebites dourados. A testeira possui cinco aplicações em tudo idênticas às da focinheira; na placa maior surgem, no entanto, novos elementos decorativos: festões. Sobre as duas tiras cruzadas que unem a testeira à cachaceira, três pequenas placas de prata ornamentadas com motivos florais, tendo desaparecido a quarta. No ponto de intersecção das correias, um botão hexagonal relevado, cujo centro é marcado por roseta incisa. Ao longo da cabeçada existem mais seis fivelas rectangulares, profusamente decoradas. A cada uma destas fivelas corresponde um par de passadeiras. A cisgola termina em esfera achatada em prata maciça, decorada com aletas entrecruzadas formando florão. Serve esta esfera para unir as duas correias de couro que sustêm o remate composto por três elementos encaixados entre si: crescente lunar com esfera, anel liso e pinha cinzelada. A determinação do uso da peça no torneio do Fio Verde resultou de um trabalho de investigação em que o estudo da foto do Infante D. Afonso Henriques, no referido torneio, foi fundamental.
  • Origem/Historial: Torneio do "fio" verde, nome do grupo liderado pelo infante D. Afonso Henriques, no último torneio "à antiga", realizado no Hipódromo de Belém em 24 de Abril de 1892. O espectáculo foi promovido por uma Comissão de Beneficência presidida pela rainha D. Amélia, destinada a angariar fundos para os familiares das vítimas do naufrágio da Póvoa do Varzim. O torneio constava de nove partes distintas incluindo outros tantos jogos equestres, entre os quais se contavam a "Cabeça do Turco", as "Alcanzias", o "Jogo da Rosa" e a "Corrida aos Pombos". Dele participaram vinte e dois cavaleiros, pagens, charameleiros e lacaios, trajando à moda do século XVIII. O grupo oponente ao do Infante, denominado "Fio azul e cor-de-laranja" era comandado pelo conde de S. Martinho, D. António de Siqueira. O programa do evento foi ilustrado pelos mais afamados artistas contemporâneos, em que se incluem os nomes de Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, Silva Porto e Roque Gameiro, entre outros.
  • Incorporação: Leiloeira "Dinastia".

Bibliografia

  • DOMINGUES-HELENO, Manuel H., Tourada Tradição Portuguesa, Barcelona, Clube El rei D.Duarte I, 2010

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