Escudo de Torneio

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 3118
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Pintor (-)
  • Datação: 1790/1820
  • Técnica: Cabedal tinto e pespontado.
  • Dimensões (cm): Alt. 68 x Larg. 55
  • Descrição: Escudo ovalado, em cabedal vermelho, desenhando dois lóbulos unidos entre si por tira do mesmo, disposta verticalmente. A peça é contornada por duas molduras relevadas feitas com a própria pele repuxada e pespontada a branco. Em cada um dos lóbulos distinguem-se as marcas das duas passadeiras aplicadas no reverso.
  • Origem/Historial: Uma adarga é um escudo feito de couro e de forma ovalada e posteriormente com forma de coração. Usado originalmente pela cavalaria muçulmana do Al-Andalus, com nome de ad-dargha, trazidos do norte de África (em Fez estava o principal centro de produção). Extremamente resistente à espada e à lança. Nos séculos XIV e XV a adarga foi utilizada pela infantaria e cavalaria cristãs até que no século XVI se generalizou o uso de armas de fogo. Ainda seguiu em uso até o século XVII em combates de cavalaria entre a nobreza peninsular. Este tipo de escudo era utilizado em torneios e jogos equestres de finais do século XVIII e início do século XIX, nomeadamente no "jogo das alcanzias"ou seja, bolas de barro ocas contendo um líquido aromático. Este jogo desenrolava-se num campo de 60 metros, dividido em três zonas distintas -dois "castelos" (topos) e o "terreiro" (centro) -, por linhas traçadas no solo. Os cavaleiros organizavam-se em duas equipas com igual número de participantes, e cada uma delas ocupava um castelo. Os cavaleiros iam armados de adarga (escudo) e três alcanzias: uma na mão e duas dentro de uma bolsa pendurada à direita do sopinho do arreio. Começava a jogar o cavaleiro situado mais à esquerda da linha, o qual avançava na direcção do seu adversário directo que, com o escudo, se tentava defender das alcanzias arremessadas. Findo o ataque, o cavaleiro regressava ao seu castelo, sendo substituído no ataque por um companheiro. O jogo terminava depois de todos os participantes terem saído a desafiar, quando se contabilizavam as vitórias alcançadas.
  • Incorporação: Repartição das Reais Cavalariças. Bens da Coroa.

Bibliografia

  • Inventário de Todos os Bens Móveis e Semoventes que Existiam no dia 31 de Janeiro de 1908 no Museu dos Coches Reais (MNC - Doc. 3618/3618-A): 31 Janeiro 1908
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
  • Repartição das Reais Cavalariças - Carros Nobres, Arreios de Tiro e Cavalaria, Aprestos de Torneio,- Catálogo do Depósito I, 2ª ed.. Lisboa: Tip. de "A Editora", 1905

Exposições

  • Jogos Equestres no Picadeiro Real

    • Exposição Física

Multimédia

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