Descrição: Escudo ovalado, em cabedal vermelho, desenhando dois lóbulos unidos entre si por tira do mesmo, disposta verticalmente. A peça é contornada por duas molduras relevadas feitas com a própria pele repuxada e pespontada a branco. Em cada um dos lóbulos distinguem-se as marcas das duas passadeiras
aplicadas no reverso.
Origem/Historial: Uma adarga é um escudo feito de couro e de forma ovalada e posteriormente com forma de coração. Usado originalmente pela cavalaria muçulmana do Al-Andalus, com nome de ad-dargha, trazidos do norte de África (em Fez estava o principal centro de produção). Extremamente resistente à espada e à lança. Nos séculos XIV e XV a adarga foi utilizada pela infantaria e cavalaria cristãs até que no século XVI se generalizou o uso de armas de fogo. Ainda seguiu em uso até o século XVII em combates de cavalaria entre a nobreza peninsular.
Este tipo de escudo era utilizado em torneios e jogos equestres de finais do século XVIII e início do século XIX, nomeadamente no "jogo das alcanzias"ou seja, bolas de barro ocas contendo um líquido aromático. Este jogo desenrolava-se num campo de 60 metros, dividido em três zonas distintas -dois "castelos" (topos) e o "terreiro" (centro) -, por linhas traçadas no solo.
Os cavaleiros organizavam-se em duas equipas com igual número de participantes, e cada uma delas ocupava um castelo. Os cavaleiros iam armados de adarga (escudo) e três alcanzias: uma na mão e duas dentro de uma bolsa pendurada à direita do sopinho do arreio. Começava a jogar o cavaleiro situado mais à esquerda da linha, o qual avançava na direcção do seu adversário directo que, com o escudo, se tentava defender das alcanzias arremessadas. Findo o ataque, o cavaleiro regressava ao seu castelo, sendo substituído no ataque por um companheiro.
O jogo terminava depois de todos os participantes terem saído a desafiar, quando se contabilizavam as vitórias alcançadas.
Incorporação:
Repartição das Reais Cavalariças. Bens da Coroa.
Bibliografia
Inventário de Todos os Bens Móveis e Semoventes que Existiam no dia 31 de Janeiro de 1908 no Museu dos Coches Reais (MNC - Doc. 3618/3618-A): 31 Janeiro 1908
MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
Repartição das Reais Cavalariças - Carros Nobres, Arreios de Tiro e Cavalaria, Aprestos de Torneio,- Catálogo do Depósito I, 2ª ed.. Lisboa: Tip. de "A Editora", 1905