Técnica: Prata fundida em molde, soldada e vazada.
Dimensões (cm): Comp. 15 x Alt. 20 x Larg. 8,5 x Diâm. 15 / 9,5
Descrição: Par de estribos campaniformes, também ditos de sino, profusamente decorados nas abas verticais que prolongam inferiormente a soleira e lhes conferem grande elevação e elegância. A ligação aos loros é feita por uma peça pivotante.
Os ornatos vegetalistas (flores) e animalistas (golfinhos) são ligeiramente relevados e vazados. Da soleira, lisa e ovalada, flui o arco contracurvado, com duas folhas estilizadas nas extremidades. A argola para suspensão dos loros tem perfil triangular e dispõe-se perpendicularmente em relação à soleira; repete a ornamentação da soleira.
Origem/Historial: Arreio gaúcho oferecido a D. Carlos de Portugal pelo presidente do Estado do Rio Grande do Sul (Brasil), Dr. Borges de Medeiros, por intermédio do Ministro de Portugal no Brasil.
A sela gaúcha é a única que não possui arções de madeira, o que se explica pela escassez de matérias-primas na "pampa" sul-americana. Em tempos mais remotos, a sela era construída pelo próprio gaúcho que, apesar das reais dificuldades económicas, empenhava o pouco que possuía no cavalo, seu único instrumento de trabalho e fonte de rendimentos. Para além de transporte, cama e alimento, o cavalo fornecia ainda o couro que era utilizado naconstrução da sela - "recado" -, sobretudo nos "bastos de laderas", ou seja, os legítimos substitutos dos arções. Colocadas sobre a manta e o suadouro, estas protuberâncias eram por último cobertas com um rectângulo de couro a que se dá o nome de "encimera", fixo por meio de uma correia larga (cerca de 20 cm), que ajudava a consolidar as diferentes partes constitutivas da sela. Os loros, suspensos da "encimera", posicionavam os estribos perpendicularmente em relação ao assento.
O selim e o respectivo arreio gaúcho que integram o espólio do M.N.C. são peças de grande luxo, a avaliar pela quantidade de prata utilizada na sua decoração. Constituíam propriedade particular da Família Real Portuguesa antes de darem entrada no Museu.
Incorporação: Transferência do Palácio das Necessidades (Lisboa).
Bibliografia
Catálogo da Exposição De Picadeiro a Museu/De Museu a Picadeiro. Lisboa: IPM/MNC, 1995
FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943