Descrição: Teliz constituído por quatro tiras de veludo de seda carmesim, unidas verticalmente entre si, agaloado a prata dourada e forrado a estopa de cânhamo e linho.
O galão (85 mm), é decorado com estrias horizontais interrompidas por frisos geométricos (em ziguezague e denteados). Nos ângulos inferiores, inscritas em círculo definido por cordão de prata dourada, as armas reais portuguesas do modelo oitocentista, relevadas, coroadas e assentes sobre pavilhão. O conjunto foi bordado sobre flanela azul escura a prata dourada, com fio laminado, crespo, canutilho e lantejoulas. Na coroa, as pedras da base e o forro foram bordados a ponto cheio, com fio de seda carmesim, vermelho e verde. As diferentes expessuras dos fios utilizados e, consequentemente, a diferença de textura produzida, sugere as cores das peças heráldicas.
O teliz possui dois forros, um interno em estopa de cânhamo e outro externo de linho, com remendos, e que adquiriu uma tonalidade alaranjada.
Nesta peça foram utilizados fios metálicos de diferentes espessuras com os quais se produziram texturas diversas que sugerem as cores heráldicas. À semelhança de outros telizes, que integram um grupo de doze, com as mesmas características morfológicas e estilísticas, também este foi executado na segunda metade do século XVIII, tendo sofrido alterações posteriores, como o provam as armas reais portuguesas, usadas em meados de oitocentos, cosidas ao suporte de veludo.
Teliz é um atavio equestre que cobria a sela e a parte traseira do cavalo onde muitas vezes estavam bordadas as armas da casa real ou casas nobres.
Continuam a usar-se nos cavalos na corrida de touros à antiga portuguesa, durante a fase das cortesias.
Origem/Historial: Considerando que os escudos que decoram o teliz não são os originais, é de concluir que ele é anterior. Assim a peça têxtil terá sido feita na segunda metade do século XVIII (provavelmente no reinado de D. José I, que encomendou inumeros acessórios de cavalaria), tendo sido reaproveitado posteriormente.
Incorporação: Repartição das Reais Cavalariças. Bens da Coroa.
Bibliografia
Inventário de Todos os Bens Móveis e Semoventes que Existiam no dia 31 de Janeiro de 1908 no Museu dos Coches Reais (MNC - Doc. 3618/3618-A): 31 Janeiro 1908
KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
Relação dos Objectos que Constituem Bens da Coroa e que Achando-se a Cargo da Repartição das Reais Cavalariças foi Entregue ao Museu Nacional dos Coches, em 3 de Setembro de 1908 (MNC - Doc. 3619). Lisboa: 3 Set 1908