Xairel de arreio de Montada de cavalaria do Rei de Armas

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 0293
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1775
  • Dimensões (cm): Alt. 42 x Larg. 85
  • Descrição: Xairel rectangular com os ângulos inferiores arredondados e um amplo recorte em arco na extremidade superior, em veludo de seda carmesim, agaloado a prata dourada e forrado a estopa e a linho cru. O veludo subsiste apenas na metade esquerda da peça. O galão (40 mm), com lacunas na douradura, descreve dois quadrados truncados num dos ângulos superiores pelo recorte em arco; nele, os fios metálicos desenham um friso contínuo constituído por cachos de uvas e parras sobre fundo estriado. O recorte superior é reforçado por uma tira de couro vermelho duplamente pespontado a branco. No reverso, ao centro e nas extremidades deste recorte, três correias de couro castanho, munidas de fivela quadrangular em latão fundido, com o respectivo fusilhão em ferro. O forro encontra-se em bom estado de conservação. O xairel é uma manta feita de tecido ou couro, de formato tendencialmente retangular que cobre a garupa do cavalo atrás do selim. Era colocada por baixo ou junto a este para evitar ferimento ou atrito no dorso do cavalo. (E.N)
  • Origem/Historial: Os "Reis de Armas" tinham por especial missão vigiar a autenticidade dos títulos e honras da nobreza. A partir da reforma manuelina, estes passaram a ser em número de três e receberam o nome de Portugal, Índia e Algarve, sendo que o primeiro era também designado por Principal e ocupava o topo da pirâmide hierárquica, onde a ascensão só se dava por vacatura. Abaixo dos "Reis de Armas" estavam os arautos, apelidados Lisboa, Silves e Goa e, por último, os mensageiros reais: Santarém, Tavira e Cochim. Em Portugal, o ofício da nobreza das armas nunca foi exercido por representantes da nobreza ou de elevada categoria social. Efectivamente, ao longo de Setecentos a no início do século XIX, este cargo foi frequentes vezes desempenhado por ourives, cuja eleição se atribui ao facto de saberem desenhar. A investidura neste cargo revestia-se de grande pompa. Antes de ser baptizado pelo monarca, o novo titular tinha de prestar juramento aos Santos Evangelhos que lhe eram apresentados por outro "Rei de Armas", anteriormente nomeado. Ajoelhado aos pés do monarca e rodeado pelos seus pares, prestava juramento público. Seguidamente, eram-lhe entregues as respectivas insígnias constantes de uma cota ou tabardo de seda vermelha com guarnições de ouro e um escudo com as armas reais portuguesas.
  • Incorporação: Casa Real Portuguesa (Fundo Antigo).

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