Trombeta da Charamela Real de D. José I
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: IM 0019
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Instrumentos musicais
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1761
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Técnica: Prata levantada, soldada, recortada e parcialmente dourada.
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Dimensões (cm): Comp. 71 x Larg. 10 x Diâm. 11
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Descrição: Trombeta da Charamela Real composta por tubo dobrado terminando em pavilhão e campânula. Esta, é reforçada por uma coroa de prata dourada, revirada sobre o interior da campânula e recortada na extremidade superior. Apresenta uma cercadura relevada constituída por filactera enrolada sobre um toro central, inscrição sobre fundo puncionado, zona intermédia lisa e friso de rosetas sobre puncionado. Ainda as armas reais encimadas por coroa fechada e inscritas numa cartela de volutas assimétricas.
A meio do pavilhão, um nó largo e achatado, onde se repetem por três vezes as armas usadas por D. José I, separadas entre si por duas bandas verticais entrelaçadas sobre superfície puncionada. Do nó, móvel, fluem dois encaixes cilíndricos dourados, de base anelada de delicada decoração incisa.
Ao longo do pavilhão, cinco encaixes em tudo idênticos aos acima descritos, com decoração espiralada sobre fundo puncionado. Um destes encaixes, localizado na dobra do tubo, é mais pequeno e tem soldada uma argola para suspensão do cordão. O suporte do bocal, actualmente inexistente, repete o mesmo esquema decorativo.
A trombeta tem suspenso um cordão de prata dourada de três cabos entrançados, enrolado em torno de um suporte de madeira que estabelece a ligação entre os tubos, rematado por borlas franjadas do mesmo material.
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Origem/Historial: Trombeta natural em ré (no actual diapasão), antigamente em mi bemol. Fazia parte da Charamela Real, corpo de trombetas de corte e legítimo sucessor da alta música do século XVI, composto por vinte e quatro trombetas de prata e quatro tímbales.
Durante muito tempo os vocábulos "charamela" e "trombeta" foram sinónimos, embora a primeira consistisse num instrumento de madeira com dez orifícios, tocado unicamente por homens de raça negra.
Por determinação do Senado, em 25 de Agosto de 1717, pretendeu-se pôr fim a esta tradição burlesca sem que, contudo, ela fosse inteiramente suprimida. Assim, "charamela" passou a ter um significado colectivo, designando o conjunto de instrumentos de sopro.
As vinte trombetas do acervo do M.N.C. - a que se juntam duas outras datadas de 1785 -, imitavam as trombetas da guarda de corpo de Versalhes, como se pode avaliar pelas recolhas de música da Charamela. Os músicos organizavam-se em quatro grupos de seis trombetas e um tímbale e interpretavam cinquenta e quatro cortejos diferentes, que compõem os ainda intactos Livros de Música. Estes cortejos testemunhavam do virtuosismo dos instrumentistas, sendo os excertos musicais tocados ininterruptamente e sem que os instrumentos pudessem ser regulados, pois não possuem quaisquer orifícios de afinação.
A versão histórica divulgada pela antiga bibliografia, segundo a qual as trombetas teriam sido utilizadas por ocasião das cerimónias de inauguração da estátua equestre de D. José I, parece hoje pouco verossímil pelo hiato existente entre as datas gravadas nos instrumentos e a referida estátua, inaugurada para comemorar os vinte anos do Terramoto de 1755.
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Incorporação: Palácio das Necessidades.
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Bibliografia
- BÔTO, J[oaquim] M[aria] P[ereira] - Prontuário Analítico dos Carros Nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens de Gala, tomo I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1909
- FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
- KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
- MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
- TARR, Edward H. - "Die Musik und die Instrumente der Charamela Real in Lissabon", in Forum Musicologicum II (Basler Studien zur Interpretation der Alten Musik). Basel: 1980
- TARR, Edward H. - Die Trompete (Hallwag Verlag Bern und Stuttgart), 1/1977. Mainz: B. Schott's Sohne, 1984
Exposições
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Triunfo do Barroco
- Lisboa, Centro Cultural de Belém
- Exposição Física