Técnica: Madeira entalhada, policromada e dourada; ferro forjado e dourado;
Dimensões (cm): Comp. 440 x Alt. 181 x Larg. 173
Descrição: Carrinho de passeio de tipo "cabriolet" de duas rodas, constituído por caixa aberta de perfil semicircular, montada entre dois varais marginais que suspendem os estribos e assente sobre duas fortes correias longitudinais e paralelas. Estas correias de suspensão em couro ligam-se a dois "crics" colocados junto ao alçado traseiro da viatura.O acesso ao interior da caixa é feito pela frente, fechado por um painel de couro amovível.
Os apainelados da caixa apresentam o fundo dourado e encanastrado, sendo delimitados por cercadura de penas de pavão (símbolo da imortalidade) unidas por filactera azul e fiada de pérolas.
Nos painéis laterais ao centro apresenta um "putto"com um estandarte rosa destaca-se dos diversos motivos fitomórficos.
No painel traseiro foi pintado, sobre o fundo encanastrado, um escudo oval contendo as armas reais portuguesas sob baldaquino vermelho, sustido por dois querubins coroados de louros. O baldaquino é sobrepujado por coroa real e cingido por fiada de pérolas. Em baixo, troféus militares e duas laças azuis.
Na parte posterior tem um assento para o pagem. Destinado ao serviço dos pequenos príncipes era, por razões de segurança, guiado por boleeiro.
Origem/Historial: Primitivamente, o "cabriolet" era usado pelos membros da Família Real, no reinado de D. Maria I, em passeios pelas reais quintas de Mafra e Queluz. A construção deste tipo de veículos está documentada, em Portugal, desde 1767, quando foram encomendados pelo Infante D. Pedro vários exemplares para uso das Pessoas Reais em Queluz.
De facto, este tipo de carrinho dourado era, em finais do século XVIII, a viatura de parque preferida, constituindo juntamente com os seis outros exemplares pertencentes ao Museu, um núcleo único no mundo.
À semelhança dos seus congéneres, procede das Reais Cocheiras de Belém, de onde transitou no início do século para o Depósito I da Repartição das Reais Cavalariças, instalado no antigo Picadeiro Real. Por ocasião da inauguração do Museu dos Coches Reais (1905), este veículo era designado por "carro de caça" e fora recentemente reparado por conta das verbas abonadas pelo Ministério da Fazenda, a fim de integrar a exposição permanente.
Posteriormente, esteve depositado na Rua da Costa, em Lisboa, onde permaneceu até ao ano de 1984, quando foi transferido para o Paço Ducal de Vila Viçosa, onde actualmente se encontra.
Incorporação: Casa Real Portuguesa.
Bibliografia
PEREIRA, João Castel-Branco - "As Carruagens de Lisboa", in William Beckford & Portugal (Catálogo da Exposição). Lisboa: Palácio de Queluz, 1987
PEREIRA, João Castel-Branco - "Estudos Acerca de Carruagens Antigas de Portugal" in Bibliotecas, Arquivos e Museus, vol. I, tomo I. Lisboa: IPPC, 1985
Relação dos Coches, Carruagens, Arreios e outros Objectos em Estado de Serviço que se Acham nas Reais Cocheiras de Belém, Verificada a sua Existe. no Primeiro de Janeiro de 1863. Lisboa: 1 Jan 1863
Relação dos Objectos que Constituem Bens da Coroa e que Achando-se a Cargo da Repartição das Reais Cavalariças foi Entregue ao Museu Nacional dos Coches, em 3 de Setembro de 1908 (MNC - Doc. 3619). Lisboa: 3 Set 1908