Carrinho de Passeio da Casa Real
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: V 0056
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Meios de transporte
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1780/1790
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Técnica: Madeira entalhada, policromada e dourada; bronze fundido em molde e dourado; ferro forjado e dourado; couro lavrado.
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Dimensões (cm): Comp. 227 x Alt. 149 x Larg. 134,5 x Diâm. 62/103 (rodados) x Esp. 4 (exterior), 5,5 (interior junto aos raios)
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Descrição: Carrinho de passeio do tipo "cabriolet", de caixa aberta de perfil semicircular,
montada sobre quatro rodas, sendo o rodado dianteiro uma adaptação posterior.
A caixa é sustida por duas correias de couro lavrado (enrolamentos sucessivos),
longitudinais e paralelas, que se ligam a dois "crics" situados na traseira
do veículo. Estes "crics", em ferro dourado, são compostos por dois pares de
rodas dentadas, interligadas por cilindro horizontal que, por sua vez, é
sustentado por três hastes fixas à tábua do banco posterior por meio de
rebites.
Para maior segurança, existem duas finas correias de couro com fivelas
ovaladas, dispostas verticalmente entre os ângulos posteriores da caixa e
os varais, que se ligam a dois passadores metálicos, rematados por vieira e
aparafusados à própria caixa.
A caixa é fechada no alçado dianteiro por um amplo painel de couro castanho
liso, que lhe serve de portinhola. Os restantes painéis, de fundo dourado,
apresentam uma decoração bastante simples que se resume a uma cercadura de
cariz fitomórfico e a um motivo central. No apainelado traseiro, o escudo
português tendo por tenentes Neptuno e Ceres; é encimado por coroa real
fechada e assenta sobre palmas e ramos de louro. Nos apainelados laterais,
irrompendo da cercadura inferior, eleva-se uma fonte envolta em folhagem
diversa.
O rebordo dos apainelados da caixa são contornados a pregaria dourada e
cinzelada, desenhando aletas e concheados; no topo do espaldar existem dois
pequenos terminais em bronze maciço com escassos vestígios de douradura,
compostos por dois registos sobrepostos e decrescentes.
As rodas dianteiras distinguem-se das traseiras apenas pelas dimensões, e
número de raios (oito), repetindo a decoração de cariz fitomórfico na face
externa. As pinas são cingidas no extradorso por espesso aro de ferro
munido de cavilhas. Os doze raios convergentes são lisos, contrariamente à
massa, ornamentada com motivos concheados a ouro. O eixo do rodado posterior
é bastante delgado e liso.
Interiormente, a caixa é revestida de veludo vermelho-ocre cortado, também
utilizado no revestimento da almofada do banco.
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Origem/Historial: * Forma de Protecção: classificação;
Nível de Classificação: interesse nacional;
Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas;
Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro;
Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006;18/07/2006 *
Primitivamente, este "cabriolet" era usado pelos membros da Família Real, no reinado de D. Maria I, em passeios pelas reais quintas de Mafra e Queluz.
À semelhança dos seus congéneres, procede das Reais Cocheiras de Belém, de
onde transitou para o Depósito I da Repartição das Reais Cavalariças,
instalado no antigo Picadeiro Real de Belém, no início do século. Cerca de
1904, o carro foi reparado por conta das verbas abonadas pelo Ministério da
Fazenda, a fim de ser exposto no futuro Museu dos Coches Reais.
Na décade de 1960, o carrinho em apreço deu entrada no depósito da Rua da
Costa, Lisboa, onde ainda permanecia em 1970, quando se procedeu à limpeza
dos madeiramentos e das ferragens.
Contrariamente aos demais cabriolets da colecção, este é o único que possui
lança e não varais, sendo por isso dito "de tronqueiro".
Segundo Monsenhor Pereira Bôto (1909), este carrinho de quatro rodas era o
preferido do então Estribeiro-Mor da Casa Real, o marquês e conde de Vila
Flor, D. António José de Sousa Manuel de Menezes Severim de Noronha, para os passeios na sua quinta do Sobralinho, próximo de Alhandra.
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Incorporação: Casa Real Portuguesa.
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Bibliografia
- BÔTO, J[oaquim] M[aria] P[ereira] - Prontuário Analítico dos Carros Nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens de Gala, tomo I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1909
- Carrosses de Cérémonies, de Fêtes, etc. de la Maison Royale de Portugal - Exposition de Milan 1906 - Exposition Rétrospective des Transports par Terre. Lisbonne: Imprimerie Nationale, 1906
- Inventário de Todos os Bens Móveis e Semoventes que Existiam no dia 31 de Janeiro de 1908 no Museu dos Coches Reais (MNC - Doc. 3618/3618-A): 31 Janeiro 1908
- MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
- Museu dos Coches Reais no Picadeiro do Paço de Belém, Ilustração Portuguesa, II Ano, nº 96, 4 de Setembro 1905. Lisboa: Empresa de "O Século", 1905
- Museu Nacional dos Coches (O) , in Grandes Museus de Portugal, fasc. III. Lisboa: Público/Presença, 1992
- Relação dos Coches, Carruagens, Arreios e outros Objectos em Estado de Serviço que se Acham nas Reais Cocheiras de Belém, Verificada a sua Existe. no Primeiro de Janeiro de 1863. Lisboa: 1 Jan 1863
- Repartição das Reais Cavalariças - Carros Nobres, Arreios de Tiro e Cavalaria, Aprestos de Torneio,- Catálogo do Depósito I, 2ª ed.. Lisboa: Tip. de "A Editora", 1905
- SOUSA, Timóteo José; MOURA, José Maria de - Relação dos Coches, Carrinhos, Arreios e Utensílios que Existiam nas Reais Cocheiras do Calvário no dia 15 de Novembro de 1853, cuja Existência Data de Época Anterior à do Reinado de Sua Majestade a Rainha Senhora D. Maria Segunda de Saudosa Memória - Duplicado N. 6. Lisboa: 27 Fev. 1854
Exposições
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Genealogia e Heráldica
- Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian
- Exposição Física