Técnica: Madeira entalhada e policromada; casquinha dourada, repuxada, recortada e cinzelada; prata repuxada, recortada e cinzelada; cristal lapidado;
Dimensões (cm): Comp. 465 x Alt. 250 x Larg. 185
Descrição: Viatura de grande aparato. Trabalho inglês.
Pertenceu ao Conde das Galveias ( Melo e Castro), tendo o seu escudo de armas.
A caixa de dois lugares, em fundo preto está decorada com cercaduras douradas estilo Império apresenta pintadas, ao centro dos apainelados, as armas do conde representadas entre coroa mista de carvalho e louro e sobre pavilhão, com a grã-cruz da Ordem de Cristo pendente.A caixa tem com guarnições e remates de casquinha dourada.Os rodados têm guarnições de metal prateado.
No interior, a caixa é revestida de veludo de seda amarelo esverdeado (descoloração provocada pela acção da luz solar) e damasco amarelo, montados sobre estopa.
As guarnições do tejadilho, da caixa e do jogo, fivelas, argolas, puxadores, lanternas e outros acessórios são de prata assim como as muletas e os medalhões da almofada do cocheiro.
Esta marca do fabricante "L. & C. Thrupp. Oxford. S. London" encontra-se gravada nas chapas metálicas de reforço interno das quatro molas em "C" de suspenção da caixa.
Origem/Historial: A carruagem da Casa Galveias foi depositada em 31 de Maio de 1936 e posteriormente adquirida pelo Museu. Aquando do depósito, a viatura apresentava-se incompleta, faltando-lhe duas lanternas de prata, dois fechos das portinholas, dois brasões das almofadas e diversas guarnições interiores.
Em 1963, foi retirada de exposição por Maria José Mendonça e transferida para o depósito da Rua da Costa, em Lisboa, de onde transitou entre 07 e 12 de Maio de 1984 para o Paço Ducal de Vila Viçosa.
Em 2015 figura na exposição do novo edifício do Museu.
A carruagem de gala era do Conde das Galveias, D. José de Avilez Logo de Almeida Melo Castro. Nascido em 1872, o 9º Conde de Galveias, foi oficial-mor da Casa Real, couteiro-mor da mesma e da Casa de Bragança, vedor da Rainha D. Amélia, par do Reino hereditário (em sucessão a seu avô materno), membro do Conselho de Administração da Companhia Nacional de Navegação. Depos da morte de sua esposa D. Teresa de Lencastre e Oliveira, o 9º Conde de Galveias fixou residência no Brasil.
O excerto biográfico de ZUQUETE, A.E. Martins- Nobreza de Portugal e do Brasil, vol II, p.633, não faz qualquer referência a cargos, honras ou comendas de que o 9º conde de Galveias, fosse detentor, ao contrário do que acontece com todos os seus antecessores, nomeadamente com o seu avô que fora alcaide-mor de Borba, comendador das comendas hereditárias da sua Casa e Ordem de Cristo.
Entende-se, assim, que os arreios tenham sido feitos no 1º quartel do séc. XIX para o 7º Conde de Galveias, D. António Francisco Lobo de Almeida e Castro de Saldanha e Beja, bem como a presença do colar e da insígnia de Cristo junto das armas da família. Os arreios e carruagem (construída em 1829) teriam passado de geração em geração até chegarem a D. José de Melo e Castro, comumente apontado como sendo o seu proprietário legítimo.
Incorporação: Guilherme Fernando P. Possolo
Bibliografia
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KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
PEREIRA, João Castel-Branco - "Estudos Acerca de Carruagens Antigas de Portugal" in Bibliotecas, Arquivos e Museus, vol. I, tomo I. Lisboa: IPPC, 1985
PEREIRA, João Castel-Branco - Viaturas de Aparato em Portugal, (Colecção "Património Português"). Lisboa: Bertrand Editora, 1987
BESSONE, Silvana - Museu Nacional dos Coches;Anexo de Vila Viçosa; Guia. Lisboa, 2004