Coche de D. Carlota Joaquina

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: V 0026
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1745/1770
  • Suporte: Madeira de tola (estribos) e de pinho (parsevão).
  • Técnica: Madeira entalhada, policromada e dourada; pintura a óleo; bronze fundido em molde, soldado, dourado e cinzelado; ferro forjado
  • Dimensões (cm): Comp. 630 x Alt. 280 x Larg. 195
  • Descrição: Coche de caixa fechada, montada sobre quatro rodas e assente num varal longitudinal que liga os eixos dos rodados. A caixa, baixa e de linhas austeras, é forrada na metade superior a couro negro com aplicação de pregaria dourada em três fiadas paralelas, que definem alçados e vãos. Nos apainelados inferiores (ilhargas e portinholas) predomina uma decoração pictórica de cariz militar, em que se distinguem elmos "à antiga" sobre atabales e estandartes. Aqueles dois elementos assentam sobre uma peanha de perfil contracurcado, também ela decorada com o mesmo tipo de motivos. Folhas de palma e coroas de louro, símbolo da vitória, completam a decoração. Ao centro dos painéis das portinholas, as armas reais portuguesas em dupla cartela foram pintadas posteriormente e são enquadradas por troféus militares e duas palmeiras simetricamente dispostas. O sistema de suspensão do coche é constituído por fortes correias de couro dispostas obliquamente entre os cantos inferiores da caixa e os montantes, tesouras de segurança cruzadas nos alçados anterior e posterior e molas laminadas e douradas, dissimuladas pelos resguardos em bronze dourado. Estes, são formados por um toro central levemente contracurvado, em torno do qual se desenvolvem diversos motivos fitomórficos e volutas. Igualmente revestido a couro negro com pregaria dourada é o tejadilho do carro, pouco elevado e pontuado nos cantos por quatro pequenos terminais em bronze dourado. Estes, dividem-se em três registos ditintos: uma base alteada em escócia, um corpo esférico com três volutas invertidas acopladas e um remate cruciforme formado por elementos vegetalistas. Jogos e rodados da viatura foram pintados de vermelho e ouro, sendo de época mais antiga. As rodas dianteiras são formadas por oito raios de secção rectangular e quatro pinas interligadas e cingidas no extradorso por um espesso aro de ferro munido de cavilhas semiesféricas. As posteriores, de maior diâmetro, denunciam o trabalho de um outro carpinteiro, quer pela delicadeza e implantação dos doze raios, quer pela ausência de arestas vivas no intradorso das pinas que formam a circunferência, ou mesmo pelo tipo de cavilhas do aro de ferro. O trabalho em talha é bastante contido, preferindo-se o contraste criado pelos motivos a ouro sobre fundo vermelho em detrimento do jogo de volumes e massas, o que é particularmente notório no cabeçal traseiro e na tábua do cocheiro. Apesar de ter sido construida no período barroco conserva o modelo dos coches espanhóis do Séc. XVII. Este coche forrado e pintado de preto foi utilizado, em 1908 no cortejo fúnebre de D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe. Em 1912 foi restaurado restituindo-se-lhe o seu aspecto original.
  • Origem/Historial: Procedente do Depósito II da Repartição das Reais Cavalariças, o "terceiro coche" de D. Carlota Joaquina de Bourbon, mulher de D. João VI de Portugal, foi retirado de exposição do salão Nobre do Museu em Dezembro de 1962 (direcção de Maria José de Mendonça), tendo ficado arrecadado nas cocheiras do Palácio de Belém até ao ano de 1984, quando foi transferido para o anexo do M.N.C., instalado no Paço Ducal de Vila Viçosa (Ofício de 15/03/1984). Em 1908, o coche integrou o cortejo fúnebre de D. Carlos I e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe, assassinados na Praça do Comércio, em Lisboa. Para servir nas referidas exéquias, o carro foi forrado e pintado de negro. COMENTÁRIO: A decoração pictórica dos apainelados da caixa, de pendor bélico, não só difere da dos outros dois coches supostamente pertencentes à princesa D. Carlota Joaquina de Bourbon, como não se integra no ambiente festivo inerente a qualquer matrimónio, sobretudo quando este corporiza uma política de casamentos destinada a assegurar a paz e a cimentar as relações diplomáticas entre dois reinos vizinhos.
  • Incorporação: Casa Real Portuguesa. Transferência do Depósito II da Repartição das Reais Cavalariças

Bibliografia

  • BÔTO, J[oaquim] M[aria] P[ereira] - Prontuário Analítico dos Carros Nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens de Gala, tomo I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1909
  • Carrosses de Cérémonies, de Fêtes, etc. de la Maison Royale de Portugal - Exposition de Milan 1906 - Exposition Rétrospective des Transports par Terre. Lisbonne: Imprimerie Nationale, 1906
  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
  • BESSONE, Silvana - Museu Nacional dos Coches;Anexo de Vila Viçosa; Guia. Lisboa, 2004

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