Coche de D. Pedro II

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: V 0005
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1660/1668
  • Técnica: Madeira policromada e dourada; pintura a óleo; bronze fundido em molde, vazado, recortado e dourado; ferro pudelado; veludo cortado.
  • Dimensões (cm): Comp. 558 x Alt. 260 x Larg. 189 x Diâm. 83 / 174 (rodas dianteiras e traseiras) x Esp. 6 / 6,5 (rodas dianteiras e traseiras)
  • Descrição: Coche de caixa trapezoidal fechada, montada sobre quatro rodas e suspensa de fortes correias dispostas obliquamente entre os ângulos inferiores da caixa e os montantes. Os eixos dos rodados estão interligados por um varal longitudinal arqueado, de secção ovalada e mais largo nas extremidades - onde é reforçado por aros metálicos -, prolongando-se na parte anterior por dois arcos em ferro forjado, ditos em "pescoço de cisne", que o ligam à "quinta roda" a ajudam a manobrar a viatura. Estes têm secção octogonal e ao centro apresentam um nó oitavado para o qual confluem dois meios-balaústres. A caixa, mais estreita na base,é fechada por sete vidraças cujos vãos são definidos por pregaria simples, a maior no alçado dianteiro e as restantes nos alçados laterais. A estrutura de sustentação, bem como os jogos e rodados foram pintados de vermelho, com ornatos de ouro. O sistema de suspensão é constituído por fortes correões de couro castanho avermelhado, duplamente pespontado a branco (elipses, lisonjas e rectângulos em alternância) e por quatro molas de suspensão em ferro, localizadas nos ângulos inferiores da caixa. Estas são compostas por dois grupos de dez lâminas, o superior arqueado na direcção da caixa e o inferior no sentido oposto. O coche possui ainda dois pares de tesouras cruzadas - um à frente e outro atrás -ligadas respectivamente ao banco do cocheiro e ao cabeçal traseiro. Os fivelões, em bronze originalmente dourado, são ornamentados na face superior com palmetas, acantos e outros motivos fitomórficos relevados, que também se repetem nos fusilhões de recorte sub-triangular. Os resguardos das molas, de grandes dimensões, são posteriores à construção do veículo; são formados por espessas placas de bronze dourado, recortado e vazado, descrevendo palmetas, volutas e contas e fixam-se às respectivas molas por meio de parafusos. Os apainelados da caixa foram pintados em tons de verde seco e castanho, com delicadas cercaduras filetadas de ouro. Nos painéis das ilhargas distingue-se uma figura feminina reclinada, com ramo de louro e escudo negro contendo o monograma de D. Pedro em capitais douradas; a seu lado, um querubim e, ao fundo, uma palmeira. No canto superior mais elevado, um medalhão "à romana" completa a decoração pictórica. As portinholas, articuladas por meio de duas charneiras bastante salientes e colocadas junto às extremidades, dividem-se em três registos, o superior em talha dourada, entre o caixilho das janelas e a cornija contracurvada; o central, de maiores dimensões, é decorado com o escudo português sob coroa real fechada, circundado por grinaldas e sobrepujado por baldaquino sustentado por duas cariátides; em baixo corre uma balaustrada dourada com sanefa e, de ambos os lados, vêem-se dois querubins abraçados, transportando à cabeça um açafate com flores. O registo inferior desce abaixo do nível do parsevão, velando o estribo interno; neste, a decoração resume-se a quatro grinaldas e a uma cercadura idênticas às anteriores. As maçanetas, em bronze maciço, têm perfil semicircular e são ornamentadas com roseta central e duas volutas de remate. São, certamente, de época posterior à construção do carro e afiguram-se desproporcionadas pelas suas reduzidas dimensões. Os painéis inferior traseiro e dianteiro repetem a composição das portinholas e no apainelado superior traseiro foi pintado o escudo português sobre cartela sustido por duas figuras femininas alusivas à "Abundância". As armas reais assentam sobre uma composição fitomórfica dominada por vieira entre palmas. Os montantes do cabeçal traseiro dividem-se em dois registos distintos: sobre pilar, um corpo definido por duas volutas simétricas suporta a trave superior. Esta tem, ao centro, um medalhão oval com cercadura de lourel e campo convexo e liso, encimado por coroa de infante sustida por dois leões contrapostos; grinaldas e volutas completam a decoração. Do eixo das rodas posteriores, bastante elevado, arranca o supedâneo ("tábua") para o moço da tábua, simples e de recorte rectangular, apenas ornamentado com friso de óvulos. Aquele é atravessado por duas vigas de secção quadrangular na base e circular no topo, que prolongam naturalmente o varal se sustentação da caixa e servem de apoio a duas peças contracurvadas que, ao fixarem-se aos montantes, conferem maior estabilidade ao veículo. Na face superior do eixo, foi inciso a goiva o número "55". As rodas são constituídas por doze raios nivelados e ligeiramente oblíquos e por seis pinas cingidas no extradorso por espesso aro metálico, segmentado e munido de cavilhas oblongas. No anverso das rodas desenvolve-se uma discreta decoração vegetalista, sendo o reverso liso. O jogo dianteiro do carro é dominado pelo banco do cocheiro, sustentado por dois montantes idênticos aos do cabeçal traseiro, cuja almofada de couro castanho é coberta por saia de veludo carmesim liso, agaloado e franjado a ouro. O escabelo forma com aquele um ângulo agudo e mais não é do que uma reprodução fiel, embora em maior escala, da "tábua", da qual se distingue por possuir adossada à face superior uma trave para apoio dos pés do cocheiro e duas palmetas entalhadas e contrapostas no ponto mais elevado. Este repousa directamente sobre a "quinta roda", formada por um só círculo que cruza o eixo do rodado. As rodas dianteiras, de diâmetro inferior às posteriores, têm apenas oito raios e quatro pinas, sendo a respectiva massa ornada com friso de folhagem dourada. Do eixo das rodas fluem duas hastes metálicas, douradas e oitavadas, que sustentam os três balancins; todos têm a forma de balaústres e estão ligados por argolas de couro pespontado. Uma peça cilíndrica que servia à segunda parelha atrelada, anelada e rematada por calotes esféricas, encontra-se actualmente colocada junto ao banco do cocheiro, embora não faça parte integrante da viatura. O tejadilho, montado a partir de uma estrutura de asnas semicirculares cruzadas, é revestido de couro negro (duas placas idênticas unidas entre si), com aplicação de quatro fiadas de pregaria miúda no rebordo. O perímetro interno é também definido por três fiadas de pregaria semiesférica, de tamanho decrescente. Possui oito maçanetas ou terminais periformes, em bronze dourado, axialmente dispostos em relação aos pés-direitos das portinholas e aos ângulos da caixa. Junto a estes e nos cantos, distinguem-se alguns remendos do mesmo material. O interior da caixa é revestido de veludo carmesim liso (moderno), agaloado e franjado a ouro, com aplicação de pregaria. Os vãos das janelas, espaldares dos bancos e ângulos internos da caixa são contornados a cordão de ouro. O veludo que reveste os caixilhos das janelas é mais antigo. O coche não tem cortinas e o parsevão é forrado de couro castanho e pregaria dourada. No exterior, lança nº23, acessório de viatura, varal de madeira, fixado na estrutura da viatura (tesouras) que fai a ligação/ encaixe (neste caso encaixe perpendiculares) entre a viatura e a atrelagem dos animais, apenas na parelha do tronco (mais próxima da viatura).
  • Origem/Historial: * Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006;18/07/2006 * A propriedade deste coche é tradicionalmente atribuída ao rei D. Pedro II, com base no monograma pintado nos apainelados da caixa. Contudo, a presença de uma coroa de infante no cabeçal traseiro indica tratar-se de uma viatura anterior à aclamação do pai de D. João V - a confirmar-se a tese acima reproduzida -, que terá sofrido profundas alterações no século XVIII, a avaliar pela verticalidade e elevação da caixa.
  • Incorporação: Casa Real Portuguesa. Bens da Coroa.

Bibliografia

  • BESSONE, Silvana (coord) - D. Amélia, Uma Rainha, Um Museu. Lisboa: IPM/MNC, 2006
  • GUEDES, Natália Correia - Museu Nacional dos Coches. Lisboa: A. P. Edições, 1986
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
  • PINTO, Augusto Cardoso - Museu Nacional dos Coches - Guia do Visitante (Ilustrada), 5ª ed.. Lisboa: 1963

Exposições

  • D. Amélia, Uma Rainha um Museu

    • Lisboa, Museu Nacional dos Coches
    • 23/5/2005 a 31/12/2005
    • Exposição Física

Multimédia

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