Sege das Plumas

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: V 0048
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1780/1800
  • Técnica: Madeira policromada e dourada; pintura a óleo; veludo cortado.
  • Dimensões (cm): Comp. 430 x Alt. 235 x Larg. 186 x Diâm. 89 / 174 (rodas dianteiras e traseiras) x Esp. 5 / 5,5 (rodas dianteiras e traseiras)
  • Descrição: Sege "à inglesa" de caixa fechada montada sobre quatro rodas, formando uma concavidade relativamente pronunciada no alçado dianteiro. "A caixa, de elegantes linhas no seu traçado, tem a parede dianteira de forma côncava. O que se destinava, segundo Roubo, a evitar que parecesse inclinar-se para a frente a quem a observasse do exterior. A sua decoração, de grande sobriedade, integra-a no período neoclássico. Os painéis superiores estão pintados de negro azulado avivado a ouro nas ilhargas, cimalha e molduras das vidraças cujos caixilhos estão forrados de veludo carmesim. As molduras dos falsos painéis, forrados de couro negro, são também douradas. Um estreito friso de madeira dourada separa os painéis superiores e inferiores. Estes, de fundo dourado, têm dois frisos ornamentais. Um, na sua parte superior, que lhe deu a denominação actual, em estilo Império, apresenta plumas pintadas em dois tons, marfim e castanho, suspensas de mantos de cor púrpura agaloaos a ouro, por sua vez suspensos de um varão dourado a que estão presos por rosetas, caindo em cornucópia, juntamente com fitas azul celeste. O fundo dourado deste friso é num tom diferente do fundo igualmente dourado da restante área dos painéis. Os outros trës lados dos apainelados inferiores tâm uma cercadura estreita, de fundo dourado, decorada com motivos fitomórficos negros. O espaço assim delimitado é preenchido em simetria por pequenas flores estilizadas, pintadas num tom de castanho avermelhado. Nas portinholas, as armas reais portuguesas parecem ter sido pintadas sobre a decoração original. São as armas reais em uso sob a Monarquia Constitucional, e já anteriormente adoptadas desde o reinado de D. João II até 1816 (...). O escudo, de forma oval, está envolto por manto de cor púrpura forrado de arminhos, atributo que se generalizou na armaria portuguesa sob o regime constitucional. O conjunto é encimado pela coroa real, As maçanetas, as muletas das porinholas e as restantes guarnições são em metal dourado singelamente decorado. O interior da caixa, em mau estado, é forrado de veludo carmesim com aplicação de galão e franja. O painel inferior dianteiro, assim como os das portinholas, tem uma bolsa nos mesmos materiais. As vidraças das portinholas são móveis, munidas de puxadores tal como os falsos painéis que poderiam ser substituídos por vidraças. Sob a vidraça do painel dianteiro existe um pequeno espaço, resultante da forma côncava deste painel, utilizado para guardar objectos dos viajantes. O assento de madeira forrada revestida de veludo não possui actualmente as almofadas que o recobriam. Tem uma ligeira inclinação para trás para evitar que, com os balanços resultantes do andamento do carro, as almofadas e os passageiros deslizassem para a frente. O banco é munido de um dispositivo próprio para viagens longas, tendo em consideração as necessidades fisiológicas dos viajantes, higienicamente resguardados por um tampo de madeira forrado de couro. O pavimento da caixa é revestido de couro. A suspensão é feita atarvés de dois grossos correões forrados de couro que partem, cada um, de um sistema de rodas dentadas - "crics" - existente no jogo traseiro, passam lateralmente sob a caixa e estão ligados a uma travessa do jogo dianteiro. Existem ainda duas outras correias de menores dimensões presas por argolas metálicas na parte traseira da caixa, que a ligam aos varais e se destinam a impedir grandes balanços. Os sistemas de rodas dentadas da suspensão encontram-se numa posição elevada relativamente aos varais, de outro modo a caixa tombaria para trás devido à curvatuar dos varais e ao facto de a suspensão ser feita apenas por correões. O jogo e o rodado, pintados de vermelho realçado a ouro, são da época de origem da sege. Os seus elementos decorativos, dourados, são representações vegetalistas e serpentes. As rodas são de construção simples, sem qualquer decoração nos raios ou nas pinas. O jogo dianteiro é de construção semelhante à das berlindas da mesma época com a sua roda giratória, a boleia e os balancins para atrelagem dos cavalos." Teresa Parra da Silva
  • Origem/Historial: * Forma de Protecção: classificação; Nível de Classificação: interesse nacional; Motivo: Necessidade de acautelamento de especiais medidas sobre o património cultural móvel de particular relevância para a Nação, designadamente os bens ou conjuntos de bens sobre os quais devam recair severas restrições de circulação no território nacional e internacional, nos termos da lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro e da respectiva legislação de desenvolvimento, devido ao facto da sua exemplaridade única, raridade, valor testemunhal de cultura ou civilização, relevância patrimonial e qualidade artística no contexto de uma época e estado de conservação que torne imprescindível a sua permanência em condições ambientais e de segurança específicas e adequadas; Legislação aplicável: Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro; Acto Legislativo: Decreto; N.º 19/2006;18/07/2006 * A sege esteve depositada nas cocheiras do Palácio de Belém até ao ano de 1954 (direcção de Cardoso Pinto), quando foi de novo restaurada e integrada na exposição permanente do M.N.C. "A construção robusta e a estrutura do assento provam que esta sege de quatro rodas se destinava a longas jornadas. Era puxada por dois cavalos, mais seguramente por mulas quando se tratasse de longas viagens, e entaão atrelada certamente a mais do que uma parelha. A sua condução era feita por sota. Os orifícios existentes no painel superior dianteiro não seriam para as rédeas. Sendo um veículo para jornadas, não é provável que fosse conduzido pelos próprioa viajantes, dadas as suas características. Nem se afigura praticável a condução do veículo pelos passageiros sentados a tão grande distância. Além de que, no interior esses orifícios são cobertos pelas portinholas quando fechadas." "Os elementos incorporados na decoração exterior dos painéis fazem parte da gramática decorativa vigente no final do século XVIII/princípio do séc. XIX. Vêmo-los representados de idêntico modo em pinturas murais e de tecto em residências de nobres ou burgueses endinheirados, construídas ou remodeladas nessa época, em Lisboa, no Porto e em Sintra. Isolados, ou emoldurando pinturas naturalistas. Na generalidade, estas pinturas são atribuídas ao francês Jean Pillement (1728-1808), pintor paisagista e "decorador de gabinetes", que se deslocou ao nosso país em dois ou três períodos distintos. Durante a sua última estadia em Portugal, terá residido no Porto entre 1780 e 1783, regressando então a Lisboa, onde permaneceu até data incerta. tendo obtido sucesso como pintor decorador, o seu estilo foi largamente imitado. No Porto, foram seus discípulos Domingos Francisco Vieira, pai de Vieira Portuense, e Joaquim Rafael da Escola da Porta do Olival. Em Lisboa, foram por ele influenciados os irmãos Joaquim e Manuel da Costa, Joaquim Marques e J. Melissent. A autoria da decoração pictórica da Sege das Plumas parece-nos ser atribuível a algum dos seus discípulos pintor de carruagens. Seria excessivo atribuí-la a Pillement já que não existe qualquer informação sobre a sua colaboração na pintura de viaturas (...)." Teresa Parra da Silva. Pela ausência de referências decorativas, em antigas descrições da viatura, será de presumir que o actual friso de plumas de pendor neoclássico, mais não é do que uma aposição oitocentista, muito possivelmente contemporânea das armas reais, a avaliar pelas semelhanças tonais entre o púrpura das referidas plumas e o do pavilhão real.
  • Incorporação: Casa Real Portuguesa. Transferência das Reais Cocheiras de Belém.

Bibliografia

  • BESSONE, Silvana - Museu Nacional dos Coches, Lisboa. Lisboa: IPM/Paribas, 1993
  • GUEDES, Natália Correia - Museu Nacional dos Coches. Lisboa: A. P. Edições, 1986
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
  • PEREIRA, João Castel-Branco - "As Carruagens de Lisboa", in William Beckford & Portugal (Catálogo da Exposição). Lisboa: Palácio de Queluz, 1987
  • PINTO, Augusto Cardoso - Museu Nacional dos Coches - Guia do Visitante (Ilustrada), 6ª ed.. Lisboa: 1971
  • Relação dos Coches,n. 30, 27 de Fevereiro de 1854. Belém
  • SILVA, Maria Madalena de Cagigal e - O Museu Nacional dos Coches - O Edifício, o Museu, as Colecções, (Colecção "Albuns de Arte Portuguesa"). Lisboa: Imp. Nacional/Casa da Moeda, 1977

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