Xairel de Arreio de montada à militar, à inglesa, com armas reais
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: A 0231
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Meios de transporte
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1850/1875
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Dimensões (cm): Comp. 61 x Larg. 128
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Descrição: Xairel em flanela de lã azul escura à militar , agaloado e bordado a prata dourada e matiz e forrado a tecido de algodão creme e a oleado negro. É constituída por duas metades idênticas, arredondadas na extremidade superior e mais largas em baixo, onde formam uma ponta pronunciada.O galão (57mm) apresenta as orlas ondulada e é decoradao por folhas de carvalho e bolotas, que formam friso contínuo. Nos ângulos inferiores, escudo com as armas reais portuguesas, bastante relevado, bordado a prata dourada (fio liso e crespo) deitada sobre suporte a canutilho e lantejoulas igualmente douradas. O relevo aumenta pregressivamente do pavilhão, sobre o qual assenta o escudo, para o campo central, sendo os diferentes níveis demarcados por cordão de prata dourada , aplicasdo sobre pequenas lantejoulas. O escudo é circundado por grupos de folhas, tendo as inferiores aplicação de lantejoulas e sobrepujado por coroa real fechada de 5 hastes perladas, com forro de veludo carmesim e pedras da base bordadas a matiz(amarelo, castanho e verde)
A coroa corresponde à zona mais saliente do bordado; integralmente feito sobre um suporte recortado, em flanela azul, igual e sobreposta à do anverso.
O forro da coroa é de veludo carmesim e contornado por cordão de seda creme.
O xairel militar era colocado sobre o selim por vezes ornamentado com rendas de ouro e preta e bordado com armas que identificavam o cavaleiro ou o regimento ou o grau dos oficiais.
(E.N)
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Origem/Historial: A Reforma dos Uniformes do Exército, decretada em 1806 e dada à estampa nesse mesmo ano, dedicava um capítulo aos arreios, em cujos parágrafos IV, V e VI se estabelecia o tipo de arreios e demais acessórios de cavalaria que seriam usados pelos Oficiais "que para o exercício dos seus Postos servirem a cavallo", todos eles com ferragens amarelas, coldres e xairéis ou mantinhas de pano azul ferrete guarnecido de galão. Em relação às mantas, decretava-se que deveriam cobrir o cavalo "desde as espadoas até aos quadriz", sendo forradas de oleado, assim como as capas dos coldres. Este tipo de revestimento interno tinha, como facilmente se entende, a vantagem de ser mais duradouro do que qualquer tecido - nomeadamente os forros de algodão, de uso corrente até à época -, evintando também que a peça ficasse manchada com o suor do cavalo.
Quanto às guarnições, elas dependiam das patentes dos Oficiais, compondo-se de um ou dois galões distanciados entre si de uma polegada, variando na largura e dimensões dos desenhos.
Apesar da distância que medeia a Reforma e a feitura do xairel em apreço, poder-se-á concluir que as necessidades práticas e o cariz eminentemente utilitário destas peças mantiveram intactas, durante quase um século, as suas características de fabrico.
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Incorporação: Admnistração da extinta Casa Real, fundo antigo do Museu
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Bibliografia
- Inventário de Todos os Bens Móveis e Semoventes que Existiam no dia 31 de Janeiro de 1908 no Museu dos Coches Reais (MNC - Doc. 3618/3618-A): 31 Janeiro 1908
- Relação dos Objectos que Constituem Bens da Coroa e que Achando-se a Cargo da Repartição das Reais Cavalariças foi Entregue ao Museu Nacional dos Coches, em 3 de Setembro de 1908 (MNC - Doc. 3619). Lisboa: 3 Set 1908