Coelheira do Arreio de tiro à inglesa, para 6 cavalos, da Carruagem da Coroa (monograma de D. Maria II)
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Museu: Museu Nacional dos Coches
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Nº de Inventário: A 3556
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Meios de transporte
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1825/1850
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Dimensões (cm): Comp. 170 x Alt. 24 x Larg. 48
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Descrição: Coelheira para arreio à inglesa para serviço da Carruagem da Coroa. Em couro preto decorada com guarnições de metal dourado representando o monograma de D. Maria II, coroas reais e elementos fitomórficos. Pertence a um conjunto de tiro para 6 e 8 cavalos respectivamente.
A coelheira descrita em seguida é parte do conjunto de tiro de 6 cavalos, que difere em alguns pormenores decorativos do conjunto de oito (mais rico).
A coelheira é constituida por duas peças tubulares em couro preto, cheia com palha até se tornarem rígidas, designadas por pré-cinta (de secção menor) e pós-cinta (de secção maior). Entre as duas, exteriormente, encontram-se um conjunto de peças metálicas, designadas por coleira, onde se vão prender as restantes peças do arreio de forma a efectuar-se a tracção. A coleira é constituida por duas longas peças metálicas, presas na parte superior através de duas argolas, por uma pequena correia de couro, onde se pode efectuar o ajuste ao pescoço do animal. Ao longo de cada uma destas peças vai se encontrando respectivamente: uma argola oval passa-rédeas em metal encimada por coroa real; em seguida uma pequena peça rectangular metálica que termina numa pequena argola, onde prende o rebocador da coelheira. As duas peças da coleira são unidas na parte inferior por uma argola de rim em metal de onde fica suspenso o peitoral (para alguns autores falsa gamarra).
Na extremidade superior (que assenta no cachaço do cavalo) encontra-se uma peça decorativa em forma de escudo, rígida, em couro preto com aplicações metálicas douradas: o monograma MR (Maria Regina, de D. Maria II) encimado por coroa contornado por friso fitomórfico de folhas de acanto e volutas.
Os rebocadores da coelheira são peças em couro rígidas, terminando numa extremidade numa argola que prende à coelheira e na extremidade oposta numa enorme fivela rectangular em metal para prisão da retranca e tirantes: decorada no topo com a coroa real; na parte inferior com um pequeno medalhão oval com o monograma MR envolto por um fino cordão; a toda a volta decoração vegetalista e volutas de acanto e no rectangulo interior um pequeno friso de pérolas; em cada um dos lados encontram-se duas argolas semicirculares que servem de suporte: no lado interior a pequenos tirantes com fivelas (decoração fitomórfica sobreposta com coroa real; a fivela é contornada com um fino cordão, decorada com motivos fitomórficos ao gosto império: cercadura de folhas e flores, inferiormente tem folhagem formando volutas simétricas) que prendem o cilhão; no lado exterior que servirão para prender um falso ventrilho (função de cilha) sob o animal. No caso dos cavalos da segunda e terceira linha a fivela inclui igualmente uma peça externa que termina numa pequena argola e onde se prende o tirante de gancho do cavalo que segue à frente. Ao longo do rebocador da coelheira encontra-se uma longa passadeira de forma tubular de secção quadrada (decorada com incisões geométricas) para prisão das extremidades soltas dos tirantes; na zona mais próxima da coelheira uma longa peça decorativa em metal dourado, com a coroa real ao centro ladeada simetricamente por folhagem de acanto que envolvem pequenos círculos com o monograma já mencionado, na parte inferior encontra-se uma argola de passagem, com decoração de folhagem, donde pende igualmente suporte de tirantes em couro (esta peça não existe por razões óbvias na primeira parelha do tiro).
Estes suportes de tirantes são uma tira de couro cosida na zona superior sendo uma das extremidades uma fivela (decoração acima descrita) que prende a outra extremidade do tirante com furação. Na face exterior encontra-se decorada por uma peça em couro preto de recorte contracurvado (aprox. triangular) pespontado no seu contorno e com uma aplicação metálica ao centro com o monograma de D. Maria II, envolto por motivos fitomórficos de folhas de acanto rematadas inferiormente por um elemento tipo galão rectangular e sobrepostos pela coroa real ao gosto neoclássico.
O peitoral ou falsa gamarra é uma longa correia de couro presa por fivela rectangular (decoração acima descrita) à argola de rim da coelheira terminando noutra fivela de forma identica a primeira que prende esta mesma correia, formando um suporte de passagem por onde irá passar o ventrilho ou falso ventrilho. Após a fivela superior está cosido ao tirante uma peça decorativa contracurvada com uma aplicação metálica oval com monograma (igual à acima descrita).
O falso ventrilho é uma "cilha" de couro constítuida por duas correias unidas entre si a todo o comprimento: a mais larga (por baixo) nas extremidades reduz a largura de forma a passar nas argolas existentes na fivela do rebocador da coelheira vindo posteriormente a prender em fivelas (decoração acima descrita), que se encontram presas à correia superior mais estreita e pequena, nesta correia mais estreita encontram-se igualmente duas passadeiras tubulares com decoração incisa geométrica.
Em algumas das coelheiras deste conjunto foram encontradas grandes argolas circulares de metal na argola de rim da coelheira. Supõe-se que a sua função era prender tirantes de união dos dois cavalos à lança do coche de forma a permitir a manobra de recuo (por essa razão atribuiram-se a estas coelheiras as posições mais recuadas do conjunto).
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Incorporação: Administração da extinta Casa Real. Fundo antigo do Museu.
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Bibliografia
- KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1964,4ª ed.. Lisboa: 1964